Seg, 09 de Março

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SAÚDE

Estudo sugere que o bambu tem potencial de "superalimento"; entenda

A primeira revisão acadêmica mundial sobre o consumo da planta identificou uma gama surpreendente de benefícios para a saúde

Floresta de bambuFloresta de bambu - Foto: Freepik

O bambu é a planta de crescimento mais rápido da Terra, com algumas variedades crescendo até 90 cm por dia. A China e a Índia são os maiores produtores mundiais e, embora os brotos de bambu já sejam um alimento básico em muitas dietas asiáticas, uma nova revisão mundial mostra que eles podem desempenhar um papel importante nas dietas em todo o mundo.

A primeira revisão acadêmica mundial sobre o consumo de bambu identificou uma gama surpreendente de benefícios para a saúde, incluindo o combate à inflamação, a melhora da saúde intestinal e a ação antioxidante.

O bambu é rico em proteínas, possui níveis moderados de fibras, é pobre em gordura, contém aminoácidos, selênio e potássio, e é uma fonte natural de vitaminas como tiamina, niacina, vitamina A, vitamina B6 e vitamina E.

A revisão, que contou com a participação de pesquisadores da Anglia Ruskin University (ARU), é a primeira a reunir e analisar todas as pesquisas publicadas sobre o consumo de bambu, incluindo ensaios clínicos em humanos e experimentos em laboratório com células humanas.

"O bambu já é consumido com frequência em algumas partes da Ásia e tem um enorme potencial para ser um complemento saudável e sustentável às dietas em todo o mundo — mas precisa ser preparado corretamente", afirmou o autor principal Lee Smith, professor de saúde pública na Universidade Anglia Ruskin.

A pesquisa apontou ainda que os brotos de bambu podem ajudar a melhorar a saúde metabólica e o perfil lipídico, o que poderia reduzir o risco de doenças cardiovasculares.

Como fonte de fibras alimentares, incluindo celulose, hemicelulose e lignina, o bambu também demonstrou melhorar o funcionamento intestinal em humanos.

Outros estudos, feitos em humanos, também mostraram um aumento na atividade antioxidante e anti-inflamatória, menor toxicidade celular e maior viabilidade celular após o consumo de bambu.

"Os múltiplos benefícios para a saúde que identificamos, incluindo seu potencial para enfrentar desafios modernos de saúde como diabetes e doenças cardíacas, provavelmente se devem ao conteúdo nutricional do bambu e seus extratos, sendo o bambu rico em proteínas, aminoácidos, carboidratos, minerais e vitaminas", explicou Smith.

Compostos do bambu também demonstraram inibir a formação de furano e reduzir a formação de acrilamida. Essas são substâncias químicas tóxicas que podem se desenvolver quando certos alimentos são fritos ou assados, o que indica que o bambu poderia ser usado para tornar outros alimentos mais seguros.

Riscos
No entanto, a revisão identificou riscos sérios associados ao consumo de bambu que não foi preparado corretamente, pois algumas espécies contêm glicosídeos cianogênicos, que podem liberar cianeto se consumidos crus.

Além disso, um estudo descobriu que os brotos de bambu contêm compostos que podem interferir na produção de hormônios da tireoide, aumentando a probabilidade de desenvolvimento de bócio, que está associado a diversas complicações de saúde. Ambos os riscos podem ser evitados com o pré-cozimento correto dos brotos.

"Nossa revisão demonstra o claro potencial do bambu como um possível 'superalimento', mas também existem lacunas em nosso conhecimento. Encontramos apenas quatro estudos com participantes humanos que atendiam aos nossos critérios, portanto, são necessários mais ensaios clínicos de alta qualidade com humanos antes que possamos fazer recomendações definitivas”, afirmou o professor.

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