Estúpidos internautas

Problema não está na internet. Está em nós, seres humanos

Em 2 de setembro de 1969, Leonard Kleinrock, professor de ciências computacionais da Universidade da Califórnia (UCLA), em Los Angeles, conseguiu com sua equipe conectar um computador a uma máquina usada para transferir dados, um “router”. Para muitos, esse episódio marcou o nascimento da internet. Vários anos depois, quando se comemorou os 30 anos dessa façanha, essa lendária figura disse à agência Reuters que ele e sua equipe não pensavam nos eventuais perigos que a rede poderia trazer no futuro. “Falávamos de ‘bits’ e ‘bytes’ e ‘routers’. Não pensávamos: será que o Carlinhos vai fazer os trabalhos de casa ou ver pornografia?”

Embora o Carlinhos tenha ido atrás de pornografia, isso não tira o mérito dessa sensacional rede mundial, que nos liga a tudo e a todos, conectando a humanidade. O problema não está na internet. Está em nós, seres humanos.

Vejam o caso do Brasil nesta Copa do Mundo. Ganhando ou perdendo, já marcou forte presença com escorregadas grosseiras, não só de Neymar, que vive inventado quedas, mas com brincadeiras maldosas de torcedores, como o vídeo machista e misógino que nossos compatriotas, entre eles o pernambucano Diego Jatobá, postaram submetendo uma russa, que não entendia o nosso idioma, a constrangimento.

Em 1999, quando se celebrou os 30 anos do nascimento da internet, ela operava no Brasil há apenas 11 anos, e seu grande impulso comercial só se deu em 1996, quando foram inaugurados seus por backbone, iniciando assim o desenvolvimento dessa rede de telecomunicações por aqui.

Com o surgimento das mídias sociais, a internet ganhou outra dimensão. E as pessoas parecem ainda não saber o poder avassalador que elas têm. A mistura de vaidade, tolice e um celular na mão tem dado inúmeros exemplos de como caminha mal a humanidade. E tantos erros públicos ainda não foram suficientes para orientar seu rumo.

É natural que deslizes sejam cometidos ingenuamente. Conheço uma pessoa que deu tremenda mancada ao começar a usar o Facebook. Achando que falava privadamente com seu interlocutor, como no WhastApp, postou publicamente que estava insatisfeita com a empresa em que trabalhava. Isso é um tipo de erro. O outro injustificável é promover coro de “boceta rosa” e postar nas redes para fazer graça.

A internet é um retrato vivo de nossas deficiências. Nunca fomos tão vaidosos, nunca fomos tão estúpidos. Do prato que se come à roupa que se veste, passando pelas agressões desnecessárias, pelo desrespeito a pessoas e animais, tudo está ali. Leonard Kleinrock não só ajudou a criar um incrível meio de comunicação, mas um álbum vivo, um painel completo onde se pode estudar o tipo de seres que somos.

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