COLISÃO NA TAMARINEIRA

'Eu não queria fazer isso. Eu não queria machucar a sua família', diz João Victor durante júri

O acusado do crime foi aos prantos e precisou ser retirado da sala onde ocorria o julgamento

Julgamento do réu de acidente no bairro da TamarineiraJulgamento do réu de acidente no bairro da Tamarineira - Foto: Arthur Mota/Folha de Pernambuco

Dor e emoção marcam o julgamento de João Victor Ribeiroacusado pela colisão que matou três pessoas e deixou duas feridas, no bairro da Tamarineira, na Zona Norte do Recife, em novembro de 2017.

No Fórum Joana Bezerra, na área central da capital pernambucana, onde ocorre o júri popular do réu, na manhã desta terça-feira (15), o advogado Miguel Arruda da Motta Silveira Filho, sobrevivente do acidente, relembrou com tristeza o momento da colisão e os dias seguintes, quando soube que a esposa e o filho mais novo haviam falecido, e que a filha mais velha estava hospitalizada e necessitaria de cuidados.



Durante tentemunho de Miguel, o acusado do crime, que houvia os relatos, foi aos prantos e precisou ser retirado da sala onde ocorria o julgamento. “Eu não queria fazer isso. Me perdoe, me mate, eu não queria machucar a sua família, nem de ninguém”, gritou João Victor diante de Miguel Arruda.


O advogado, em lágrimas, também foi retirado do espaço. A filha de Miguel, Marcela, de 8 anos,sobrevivente da batida, também foi retirada do local por familiares.

O réu João Victor voltou para a sala do julgamento cerca de uma hora depois, no momento do depoimento da terceira testemunha, Matheus Peixoto, 28 anos, vendedor autônomo, que iniciou por volta das 12h15. Assim como no início dos primeiros depoimentos, João Victor permaneceu de cabeça baixa durante os testemunhos. Segundo a testemunha, ela e o réu foram a dois bares no dia em que ocorreu a colisão e consumiram bebida alcoólica, além de dogras (maconha).

Início dos depoimentos

O júri popular iniciou por volta das 9h. O primeiro a depor foi Miguel Arruda, mas, bastante emocionado, ele deixou a sala, dando lugar ao depoimento do então motoboy Gleidson José de Santana, só retornando depois. Gleidson José estava no local no momento da colisão e relembrou, emocionado, o que viu.

"Eu vi um pai pedindo socorro, uma criança com o braço estendido, a babá. Muita coisa por cima deles e o pessoal desesperado querendo tirar a criança que estava presa na ferragens do carro", disse. "A cena não foge da memória, uma cena triste dessa não é fácil de esquecer, não. Eu lembro como se fosse hoje", acrescentou.

Segundo o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), 22 pessoas foram arroladas para serem ouvidas como testemunhas, mas oito devem ser ouvidasSegundo a juíza Fernanda Moura de Carvalho, que preside o júri, o julgamento deve se estender até por volta das 19h desta terça, com possibilidade de durar alguns dias.

Por volta das 13h40, foi dado intervano no julgamento, e foi retomado por volta das 15h.

Colisão
A colisão matou a funcionária pública Maria Emília Guimarães, de 39 anos, esposa de Miguel, o filho mais novo do casal, Miguel Neto, de 3 anos, e a babá Roseane Maria de Brito Souza, de 23 anos, que estava grávida. 

João Victor Ribeiro, então estudante universitário, dirigia alcoolizado e ultrapassou o sinal vermelho no cruzamento da Rua Cônego Barata com a Avenida Conselheiro Rosa e Silva, e atingiu o automóvel onde estava a família.

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