Internacional

EUA alerta que Coreia do Norte pode ter outras armas 'em reserva'

Alerta foi feito após Coreia do Norte lançar um novo míssil balístico intercontinental

Conselheiro americano para Segurança Nacional, Jake SullivanConselheiro americano para Segurança Nacional, Jake Sullivan - Foto: Alex Wong/ Getty Images North America / VIA AFP

Os Estados Unidos alertaram, nesta sexta-feira (25), que a Coreia do Norte pode ter "outras coisas em reserva", após o lançamento de um novo míssil balístico intercontinental com o qual o regime norte-coreano se considera preparado para "um confronto a longo prazo" com a potência americana.

Pyongyang lançou na quinta-feira pela primeira vez desde 2017 um míssil intercontinental de pleno alcance, que chegou mais alto e mais longe do que qualquer projétil previamente testado pelo país, que tem capacidade nuclear.

O teste do "novo tipo de míssil balístico intercontinental", o Hwasong-17, foi realizado sob a "orientação direta" do líder Kim, informou a agência KCNA.

O lançamento faz parte da estratégia de "provocação desenvolvida nos últimos meses e que vai continuar. Pensamos que há provavelmente outras coisas em reserva", admitiu o conselheiro americano para Segurança Nacional, Jake Sullivan.

Os Estados Unidos pediram ao Conselho de Segurança da ONU uma "resolução para atualizar e fortalecer o regime de sanções" contra Pyongyang, já sujeita a importantes punições pelo desenvolvimento de seu programa nuclear e de mísseis.

O Hwasong-17 é um míssil balístico intercontinental (ICBM) gigantesco exibido pela primeira vez em um desfile em outubro de 2020 e definido como um "míssil monstro" por analistas.

Kim afirmou que a nova arma "desempenhará sua missão como uma poderosa dissuasão ante uma guerra nuclear" e "tornará o mundo claramente consciente do poder" das forças armadas estratégicas do país", segundo declarações colhidas pela KCNA.

O líder norte-coreano garantiu que o país está "totalmente preparado para um confronto de longo prazo com os imperialistas americanos".

Este primeiro teste provocou indignação entre os países vizinhos e o governo dos Estados Unidos, que decretou novas sanções contra entidades e indivíduos na Coreia do Norte e na Rússia, acusadas de "transferir artigos sensíveis ao programa de mísseis" de Pyongyang.

Supervisão de Kim
A mídia estatal exibiu imagens de Kim caminhando na pista do aeroporto, em frente ao longo míssil ou celebrando com outras autoridades o lançamento. 

"O míssil, lançado do aeroporto internacional de Pyongyang, deslocou-se a uma altitude máxima de 6.248,5 km e voou 1.090 km por 4.052 segundos antes de atingir com precisão uma área predefinida em águas abertas" no Mar do Japão, detalhou a KCNA.

O Japão afirmou que o míssil caiu dentro de sua zona marítima econômica exclusiva.

O exército da Coreia do Sul calculou o alcance do míssil em 6.200 quilômetros, muito além da estimativa para o Hwasong-15, que Pyongyang testou em outubro de 2017.

"A Coreia do Norte fez um progresso qualitativo importante", declarou à AFP o analista de segurança Ankit Panda.

"Os norte-coreanos estão no limiar de aumentar significativamente a ameaça aos Estados Unidos", advertiu, antes de apontar que este ICBM pode transportar várias ogivas e evitar de maneira mais fácil os sistemas de defesa antimísseis.

O G7, a União Europeia e a ONU denunciaram que o teste violava as resoluções do Conselho de Segurança.

Ruptura da moratória
Apesar das sanções internacionais mais severas por seu programa armamentista e nuclear, a Coreia do Norte executou uma dezena de testes desde o início do ano.

Pyongyang suspendeu oficialmente os testes de longo alcance enquanto o dirigente Kim Jong Un participava em negociações de alto nível com o então presidente dos Estados Unidos Donald Trump. Mas as conversações fracassaram em 2019 e estão paralisadas desde então.

Na semana passada, a Coreia do Sul relatou um teste fracassado no mesmo aeroporto de Pyongyang: o projétil teria explodido no céu da capital. Analistas afirmaram que era o Hwasong-17. 

A KCNA indicou que o teste mais recente demonstrou que a arma atende aos "requisitos de design" e pode ser usada "em tempos de guerra".

"Este teste parece 'compensar' o lançamento frustrado da semana passada", declarou à AFP Soo Kim, analista da Rand Corporation e ex-funcionária da CIA. "O regime parece bastante satisfeito com o resultado", acrescentou. 

Os avanços acontecem às vésperas do 110º aniversário do nascimento de Kim Il Sung, fundador da Coreia do Norte e avô do atual líder, em 15 de abril. O regime costuma usar as efemérides para demonstrar sua capacidade militar.

Também ocorrem em um momento instabilidade internacional e regional, consequência do conflito na Ucrânia e do período de transição na Coreia do Sul até a posse do presidente eleito Yoon Suk-yeol em maio.

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