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EUA deportam professora de Brown apesar de ordem judicial

Rasha Alawieh, médica especializada em transplante de rins de 34 anos, foi barrada no aeroporto de Boston na volta de uma viagem para sua terra natal

Universidade Brown Universidade Brown  - Foto: Brown University / Divulgação

Um professora assistente da Faculdade de Medicina da Universidade Brown com um visto válido foi deportada dos Estados Unidos apesar da ordem de um juiz de que ela não deveria ser removida.

Autoridades federais alegaram que a médica libanesa tinha "fotos e vídeos favoráveis" de figuras proeminentes do Hezbollah na pasta de itens excluídos de seu telefone celular, segundo o site Politico. Uma audiência sobre o caso prevista para esta segunda-feira foi cancelada.

Rasha Alawieh, uma médica especializada em transplante de rins de 34 anos, viajou para o Líbano, seu país natal, no mês passado para visitar familiares. Na ocasião, ela teria comparecido ao funeral do líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, e o apoiou "de uma perspectiva religiosa", mas não política, disseram as autoridades.

Nasrallah foi morto pelas forças de Israel em setembro de 2024, em Beirute, em meio à guerra em Gaza.

A professora de Brown foi detida na quinta-feira quando retornou dessa viagem aos Estados Unidos, de acordo com uma queixa judicial apresentada por sua prima Yara Chehab.

Um dia depois, o juiz Leo Sorokin, do Tribunal Distrital Federal de Massachusetts, ordenou ao governo, que notificasse o tribunal com 48 horas de antecedência antes de deportar Alawieh. Apesar disso, ela foi colocada em um voo para Paris, presumivelmente a caminho do Líbano.

Em uma segunda ordem apresentada na manhã de domingo, o juiz disse que havia motivos para acreditar que o Departamento de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP, na sigla em inglês) havia desobedecido deliberadamente sua ordem anterior de notificar o tribunal antes de expulsar a médica.

Ele disse que havia seguido “a prática comum neste distrito, como tem sido há anos”, e ordenou que a agência federal respondesse ao que ele chamou de “alegações sérias”.

“O CBP questionou a Dra. Alawieh e determinou que suas verdadeiras intenções nos Estados Unidos não poderiam ser determinadas”, escreveu o procurador assistente dos EUA, Michael Sady, em um documento apresentado ao tribunal nesta segunda-feira.

De acordo com o site Politico, o governo disse que o CBP jamais desafiaria intencionalmente uma ordem judicial. O funcionário da CBP John Wallace afirmou em uma declaração juramentada apresentada ao tribunal que os funcionários da CBP no Aeroporto Logan de Boston não haviam recebido notificação formal da ordem judicial por meio de canais oficiais antes de Alawieh ser colocada em um voo da Air France com destino a Paris na noite de sexta-feira.

Uma audiência sobre o caso estava prevista para a manhã desta segunda-feira, mas foi cancelada pouco antes do início pelo juiz Sorokin, nomeado pelo ex-presidente democrata Barack Obama. Ele deu ao governo mais uma semana para apresentar mais informações sobre o que aconteceu com Alawieh.

Alawieh vive nos Estados Unidos desde 2018, quando chegou com um visto de estudante para participar de uma bolsa de estudos em nefrologia na Universidade Estadual de Ohio. Posteriormente, ela participou de um programa semelhante na Universidade de Washington e de um programa de medicina interna em Yale, segundo a denúncia apresentada por sua prima no fim de semana.

Um porta-voz da Brown afirmou à agência de notícias AP que Alawieh é funcionária da Brown Medicine com um compromisso clínico com a Brown. A Brown Medicine é uma organização médica sem fins lucrativos que atende diretamente seus próprios pacientes. Ela é afiliada à escola de medicina da Universidade Brown.

Há uma escassez de médicos americanos trabalhando na área de especialidade de Alawieh, a nefrologia de transplante. Os médicos estrangeiros desempenham um papel importante nesse campo, de acordo com especialistas.

O receio em relação ao status de imigração poderia “prejudicar ainda mais o sistema”, disse o Dr. George Bayliss, que trabalha no programa de transplante renal da Brown Medicine com a Dra. Alawieh. Seus pacientes incluem indivíduos que aguardam transplantes e aqueles que lidam com as condições complexas que podem ocorrer após um transplante, afirmou Bayliss, chamando Alawieh de “uma médica muito talentosa e atenciosa”.

— Estamos todos indignados — acrescentou. — E nenhum de nós sabe por que isso aconteceu.

Em uma carta enviada no domingo aos membros da comunidade universitária, a administração da Brown aconselhou os estudantes estrangeiros, antes das férias de primavera, a “considerar o adiamento ou atraso de viagens pessoais para fora dos Estados Unidos até que mais informações estejam disponíveis no Departamento de Estado dos EUA”.

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