grupo de estudo

EUA deve superar 'trauma' de Afeganistão para enfrentar ameaças crescentes, diz relatório

Os movimentos extremistas estão "ganhando força de formas que ameaçam os interesses dos Estados Unidos e seus aliados"

Relatório aponta que EUA precisa superar trauma do AfeganistãoRelatório aponta que EUA precisa superar trauma do Afeganistão - Foto: Pedro Ugarte/AFP

Os Estados Unidos devem superar o "trauma" de duas décadas de guerra e intensificar os esforços antiterroristas para enfrentar as crescentes ameaças provenientes do Afeganistão e do Paquistão, segundo um relatório divulgado nesta terça-feira (14).

O grupo de estudo responsável, liderado por ex-autoridades políticas e militares dos Estados Unidos, deixou claro que não defendia um retorno àquela que foi a guerra mais longa na história dos EUA, e que terminou em 2021, quando o presidente Joe Biden retirou completamente as tropas do Afeganistão e os talibãs recuperaram o controle.

No entanto, enfatizou que, após a abrangente estratégia contraterrorista decorrente aos ataques de 11 de setembro de 2001, o pêndulo "parece ter oscilado na direção oposta", à medida que os Estados Unidos se concentram na competição com a China, na invasão russa da Ucrânia e no conflito entre Israel e o grupo islamista palestino Hamas.

"Tanto os tomadores de decisão quanto muitos que trabalharam dentro das agências de segurança nacional mostram sinais de algo como um trauma coletivo resultante de um esforço antiterrorista de 20 anos", expressou o grupo de estudo, convocado em 2022 pelo Instituto de Paz dos Estados Unidos.

"O trágico fim do envolvimento dos Estados Unidos no Afeganistão também o tornou um assunto tóxico, reforçando a inclinação para manter a região fora da agenda política e do radar público", alegou.

Mas alertou para alguns perigos gerados na região: os movimentos extremistas estão "ganhando força de formas que ameaçam os interesses dos Estados Unidos e seus aliados".

Por isso, afirmou que essas organizações encontraram uma "variedade de novas oportunidades para se reagruparem, conspirarem e colaborarem" no Afeganistão contra interesses americanos.

Entre eles, o Estado Islâmico de Khorasan, os rivais dos talibãs que igualmente encontraram refúgio no Afeganistão - e estiveram envolvidos em um grande atentado em março em Moscou - e o grupo Tehreek-e-Taliban do Paquistão, que lidera uma campanha armada contra o governo central de Islamabad.

O relatório pede que os Estados Unidos sejam "menos restritivos" no uso da força contra as ameaças no Afeganistão, não apelando para um retorno à guerra convencional, mas sim para ação militar específica contra as ameaças diretas identificadas.

Também pede às autoridades americanas que considerem "demonstrações de força", como o uso de drones, para pressionar os líderes talibãs a romperem os laços persistentes com a rede islamista Al Qaeda.

Paquistão: a única opção?
Ao apontar uma queda na atividade de inteligência e nas capacidades operacionais de Washington desde a retirada do Afeganistão, o estudo insta a uma nova coordenação com o Paquistão, inclusive na luta contra militantes jihadistas e garantindo o acesso americano ao espaço aéreo paquistanês a longo prazo.

O Paquistão foi um dos principais receptores de ajuda americana durante a guerra no Afeganistão, mas as autoridades em Washington acreditavam há muito tempo que Islamabad jogava em dois campos e mantinha os talibãs vivos.

O governo Biden mostrou pouco interesse em se envolver com o Paquistão, algo que também não foi favorecido pela situação política tumultuada do quinto país mais populoso do mundo.

"Há muitas pessoas que atualmente servem nos níveis mais altos do governo dos Estados Unidos e que têm um forte desgosto pelo Paquistão com base na experiência de 20 anos no Afeganistão", disse a co-presidente do grupo de estudo, Laurel Miller, que atuou como representante especial dos EUA para o Afeganistão e Paquistão e agora lidera a organização The Asia Foundation.

"Existe um forte sentimento de que o Paquistão teve uma postura falsa, para dizer o mínimo, com os Estados Unidos", disse à AFP.

"Mas existem certas realidades imutáveis, incluindo que o Paquistão está ao lado do Afeganistão, que atualmente é um santuário para grupos terroristas", acrescentou Miller, que por isso acredita que "não há outra opção senão ter algum tipo de relação com o Paquistão que permita aos Estados Unidos proteger seus próprios interesses na região".

Entre os autores do relatório estão também Michael Nagata, um tenente-general reformado do Exército com experiência em contraterrorismo, bem como Anne Patterson e Michael McKinley, ex-embaixadores americanos no Paquistão e Afeganistão, respectivamente.

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