EUA passa dos 140 mil casos e tem mais de dois mil mortos pela Covid-19

Segundo especialistas, medidas de isolamento demoraram e, enquanto isso, o vírus se espalhava silenciosamente

Montagem de hospital de campanha nos Estados UnidosMontagem de hospital de campanha nos Estados Unidos - Foto: Bryan R. Smith/AFP

Segundo o governo dos Estados Unidos, nesta segunda-feira (30), 2.405 pessoas já morreram por conta do novo coronavírus no país. Ao todo, mais de 140.904 pessoas foram diagnosticadas com a Covid-19. Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dizem que há casos em 50 estados, no Distrito de Columbia, em Porto Rico, Guam e nas Ilhas Virgens. Dos casos relatados pelo governo, 886 são relacionados a viagens, 2.351 são de contato próximo e a maioria, 137.667, ainda estão sob investigação.

A rede de notícias CNN, no entanto, diz que a situação é ainda pior. A emissora afirmou, de acordo com sua pesquisa, que os EUA contam com 155.252 diagnósticos e 2.490 mortos. Em entrevista recente, o presidente norte-americano Donald Trump chegou a acusar hospitais de acumulares respiradores e outros equipamentos vitais para o tratamento da Covid-19, mas não apresentou provas.

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Previsão
Segundo a epidemiologista Aubree Gordon, da Universidade de Michigan, a transmissão do vírus não terá sido interrompida nos EUA até 30 de abril - Trump, que inicialmente previa uma quarentena de 15 dias, anunciou a extensão da medida até o final de abril.

Segundo a epidemiologista, os EUA demoraram para adotar medidas de isolamento e distanciamento social contra o avanço da pandemia, e, mesmo com a extensão do período anunciada pelo presidente, a real volta à normalidade deve atrasar no país.

Aubree Gordon disse ainda que problemas como a falta de teste disponível para todos que manifestam sintomas deveriam ter sido resolvidos antes de Donald Trump anunciar que estendeu as medidas de distanciamento social por mais um mês no país.

Ela afirma que a morosidade no processo de testes para detectar o coronavírus deu a falsa impressão de que o perigo ainda não havia chegado aos EUA e deixou por muito tempo autoridades e população desarmadas. Enquanto isso, a transmissão se dava em marcha invisível e vertiginosa.

O exemplo da especialista é empírico. Michigan registrou o primeiro caso do novo vírus há apenas 12 dias e, nesta segunda, já alcançava mais de 5.400 diagnósticos, com 132 mortes. "O atraso nos testes fez com que o estado demorasse para tomar as medidas necessárias, porque as pessoas pensavam que não havia casos aqui. A infecção estava acontecendo sem que a gente a tivesse detectado."

Na avaliação dela, o número de casos confirmados de infecção pelo novo coronavírus no país só deve começar a cair em cerca de dois meses, depois que a população passar a cumprir severamente restrições de circulação que hoje estão em vigor em menos da metade dos 50 estados americanos.

A epidemiologista prevê a necessidade de algum nível de distanciamento social entre os norte-americanos pelo menos até o ano que vem. "O quão rigoroso ele precisa ser vai depender do grau de transmissões locais e da capacidade de testes e assistência médica no país", explicou Aubree Gordon à reportagem.

Diversas regiões adotaram o fechamento de escolas e comércio não essencial e limitaram o funcionamento de bares e restaurantes, mas Aubree Gordon diz que é preciso mais. Para ela, somente a ordem irrestrita de ficar em casa vai resultar, inicialmente, na diminuição das transmissões, para enfim reduzir o número de casos.

A confirmação do primeiro paciente com diagnóstico de Covid-19 nos EUA foi em 21 de janeiro. Trump, que inicialmente minimizava a gravidade da pandemia, declarou estado de emergência nacional após 52 dias, em 13 de março. Menos de duas semanas depois, o país registrava 83.012 casos e 1.301 mortes, superando China e Itália e tornando-se o epicentro do vírus.

Nesta segunda, novo salto: mais de 140 mil casos e 2.400 mortos, sinalizando que o pior ainda está por vir. Estados como Nova York, Nova Jersey e Califórnia - e seus municípios mais populosos - lideram a lista dos principais focos do novo vírus no país e adotaram medidas severas para manter as pessoas em casa. Mas cidades como Boston, Nova Orleans e Detroit, a maior de Michigan, têm experimentado uma explosão mais recente de casos que, de acordo com Gordon, acontece justamente pelo hiato sem medidas restritivas.

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