Europa acelera medidas para o fim do confinamento

À espera da vacina, muitos governantes se preparam para o grande desconfinamento da população.

Itália começa a colocar desconfinamento em práticaItália começa a colocar desconfinamento em prática - Foto: Vicenzo Pinto / AFP

A Europa, com a Itália à frente, iniciou nesta segunda-feira (4) a flexibilização das restrições impostas a milhões de habitantes para frear a propagação do coronavírus, mas outras regiões, como a América Latina, sofrem os efeitos do combate à doença.

As autoridades italianas suavizaram o confinamento com a esperança de reativar uma economia devastada pela COVID-19.

Mas o país adota uma abertura muito prudente: sem comércio varejista, sem bares ou restaurantes - autorização apenas para vendas de refeições com retirada dos clientes -, com estímulo ao teletrabalho, a proibição de festas de família - mas com possibilidade de encontrar os parentes que vivem na mesma região -, a manutenção do distanciamento físico e social, inclusive nos transportes público, entre uma série de medidas.   

O governo continua preocupado com o risco de uma segunda onda de infecções, assim como vários italianos. "As novas regras são bem mais vagas. Temo que para muitos será uma desculpa para fazer o que desejam e encontrar todo mundo, primos, namoradas...", comenta Alessandra Coletti, uma professora de 39 anos.

Em busca de uma vacina
O cenário deve permanecer assim, exceto em caso de confirmação das previsões do presidente dos Estados Unidos.

"Acreditamos que teremos uma vacina até o fim do ano", declarou Donald Trump em um programa especial do canal Fox News no Lincoln Memorial, em Washington.  "Os médicos dirão 'você não deveria dizer isso', mas vou dizer o que penso", completou.

Atualmente estão em desenvolvimento mais de 100 projetos de vacinas contra a COVID-19 ao redor do mundo, 10 deles já na fase de testes clínicos, de acordo com os dados da   'London School of Hygiene & Tropical Medicine'. 

Os principais líderes europeus devem participar em um evento de arrecadação de fundos para ajudar o desenvolvimento de uma vacina e de tratamentos contra o novo coronavírus. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que organiza a grande conferência on-line, espera arrecadar 7,5 bilhões de euros. 

À espera da vacina, muitos governantes se preparam para o grande desconfinamento da população.

Na Espanha (mais de 25.200 mortos), os cidadãos começaram a voltar às ruas no sábado. Em Portugal, o governo autorizou nesta segunda-feira a reabertura de pequenos estabelecimentos comerciais, salões de beleza e concessionárias de automóveis, mas as pessoas precisam usar máscaras nas ruas e nos transportes públicos.

Na França, que se aproxima de 25.000 mortes, a flexibilização do confinamento começará em 11 de maio e acontecerá por regiões. O governo anunciou que não vai impor uma quarentena aos passageiros procedentes de países da UE, do espaço Schengen ou do Reino Unido.

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O fim das restrições também começou na Alemanha, com a reabertura progressiva das escolas em algumas regiões a partir desta segunda-feira. Na Áustria, as lojas das ruas comerciais de Viena retomaram as atividades no sábado, algo que também aconteceu nos países escandinavos.

Em outro sinal de normalização, o ministro alemão do Interior e dos Esportes se mostrou favorável à retomada da liga de futebol, a Bundesliga. Seria o primeiro grande campeonato europeu a dar o passo.

No leste da Europa, cafeterias e restaurantes reabrem a partir desta segunda-feira na Eslovênia e Hungria, exceto na capital Budapeste. Na Polônia, hotéis, centros comerciais, bibliotecas e alguns museus retomam as atividades.

No Reino Unido, o primeiro-ministro Boris Jonhson prometeu um plano de desconfinamento

Desde que a pandemia surgiu em dezembro na China, mais de 3,5 milhões de casos do novo coronavírus (com 246.893 mortes) foram declarados oficialmente em todo o mundo, mais de 75% deles na Europa e Estados Unidos, de acordo com um balanço da AFP estabelecido com base em fontes oficiais até 3H00 GMT (0H00 de Brasília).

O número de casos diagnosticados reflete apenas uma parte da quantidade real de infecções, porque muitos países contabilizam apenas pessoas em estado grave.

Enquanto na Europa o número de casos registra uma desaceleração, em outros países e regiões, como Rússia (1.280 falecidos) ou América Latina, não param de aumentar.

A América Latina já supera 250.000 casos e se aproxima de 15.000 mortes, em particular no Brasil, Peru e Equador, que concentram 86% das mortes na região e 77% dos casos diagnosticados.

O presidente Jair Bolsonaro reiterou diante de seguidores em Brasília o discurso contra o confinamento, no momento em que o país supera 100.000 casos e mais de 7.000 mortes. O Brasil ocupa o nono lugar na lista mundial de pessoas infectadas.

No Equador, mais de 100 municípios decidiram ampliar o confinamento ordenado pelo governo há sete semanas.

Nos Estados Unidos (mais de 67.600 mortos), apesar dos balanços diários trágicos (+1.450 vítimas fatais nas últimas 24 horas), mais de 35 dos 50 estados flexibilizaram as medidas de restrição para estimular a economia. No programa de TV de domingo, Trump afirmou que "vamos perder "70.000, 80.00 ou 100.000 pessoas". "É horrível, não deveríamos perder nenhuma pessoa por isto".

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