Europa continua seu desconfinamento e OMS se reúne para tentar conter pandemia

A famosa Basílica de São Pedro, no coração do Vaticano, reabriu suas portas aos visitantes esta manhã após permanecer fechada desde 10 de março

Os fiés tiveram acesso ao local após medirem a temperatura e desinfetarem as mãos com álcool em gelOs fiés tiveram acesso ao local após medirem a temperatura e desinfetarem as mãos com álcool em gel - Foto: Vincenzo Pinto / AFP

A Europa deu um novo passo nesta segunda-feira (18) em seu gradual desconfinamento, com a reabertura da Basílica de São Pedro no Vaticano e da Acrópole de Atenas, refletindo o retorno a uma aparente normalidade, enquanto a OMS se reúne para abordar uma resposta conjunta à pandemia, cada vez mais preocupante na América Latina, com quase 30.000 mortes, principalmente no Brasil.

As autoridades de todo o mundo - divididas entre o medo de um novo surto da pandemia e a pressão por um desastre econômico iminente - tentam aliviar o confinamento. A famosa Basílica de São Pedro, no coração do Vaticano, reabriu suas portas aos visitantes esta manhã após permanecer fechada desde 10 de março.

Na presença de vários policiais com máscaras, visitantes enfileirados e respeitando uma distância de dois metros um do outro, entraram no templo, depois de medir a temperatura e desinfetar as mãos com álcool em gel.

Outro monumento emblemático do velho continente também começou a receber visitantes: a Acrópole de Atenas reabriu em uma cerimônia liderada pela presidente do país, Katerina Sakellaropoulou, na presença de alguns jornalistas e funcionários com máscaras no rosto.

"Nunca vimos tão poucas pessoas na Acrópole. É como se tivéssemos uma visita particular", disse à AFP uma cidadã russa que foi ao local acompanhada pelo marido, com quem mora em Atenas há cinco anos.

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A Itália, um dos países mais afetados pela pandemia com mais de 32.000 mortes, entrou nesta segunda-feira na "fase 2" de seu desconfinamento com a reabertura de lojas, cafés e esplanadas e a retomada das missas.

A península foi o primeiro país do mundo a impor o confinamento total há mais de dois meses, embora seus moradores tenham se beneficiado desde 4 de maio de uma pequena recuperação da liberdade, graças a um primeiro levantamento parcial das restrições.

Na França, outro dos países mais atingidos pela Covid-19, a reabertura parcial das escolas continua, especialmente nas regiões menos afetadas pela epidemia. A vizinha Bélgica também reabre seus centros educacionais.

Outro país severamente atingido pelo vírus, a Espanha, responsável por 27.650 mortes, também está progredindo no desconfinamento e, nesta segunda-feira, 70% da população vive em condições menos severas. No entanto, Madri e Barcelona ainda estão sob fortes restrições.

- Japão em recessão -
Nos Estados Unidos, continua o debate entre aqueles a favor de uma rápida reabertura da economia e aqueles que defendem uma abertura mais lenta e controlada para tentar evitar uma segunda onda de infecções. Segundo o chefe do Federal Reserve, Jerome Powell, em qualquer caso, o emprego entrará em colapso e a potência mundial sofrerá uma profunda recessão.

Powell acredita que é provável um pico na taxa de desemprego de 20% ou 25% e que a queda no PIB dos EUA no segundo trimestre será "facilmente de 20%, 30%". O novo coronavírus também causa estragos na economia do Japão. A terceira maior economia do mundo entrou formalmente em recessão, com um segundo trimestre consecutivo de contração, segundo dados divulgados pelo governo nesta segunda-feira.

Segundo esses números, o PIB japonês, que já havia caído 1,9% no último trimestre de 2019, caiu mais 0,9% entre janeiro e março deste ano. Embora o arquipélago tenha registrado muito menos mortes do que outros países (quase 750 óbitos e cerca de 16.000 casos confirmados), anunciou nesta segunda-feira que o Monte Fuji, seu vulcão mais conhecido, ficará fechado aos visitantes neste verão.

- "Tirania do isolamento total" -
Na América Latina e no Caribe, o número de mortos pela Covid-19 é de cerca de 30.000, com mais da metade no Brasil, que superou a barreira das 16.000 mortes, embora os especialistas acreditem que as estatísticas ocultam uma realidade muito mais trágica.

O presidente Jair Bolsonaro mais uma vez voltou a se juntar a uma aglomeração que apoiava sua gestão da pandemia. O presidente defendeu em várias ocasiões que as medidas de confinamento são piores que o coronavírus. "O desemprego, a fome e a miséria será o futuro daqueles que apoiam a tirania do isolamento total", tuitou o presidente.

Na cidade de São Paulo, epicentro da doença no país, com mais de 35.000 casos e quase 3.000 mortes, a secretária de saúde informou que as mortes aumentaram 432% em cinco semanas e alertou que o sistema de saúde poderá entrar em colapso em 15 dias se esses índices continuarem a subir.

O Equador, também fortemente atingido pela Covid-19 com mais de 2.700 mortes, relatou o primeiro caso de coronavírus entre os indígenas waorani da Amazônia no domingo, depois que uma menina de 17 anos deu positivo.

A disseminação do vírus nessa comunidade "pode ser catastrófica e altamente letal", já que os indígenas "não têm defesas que lhes permitam resistir e gerar anticorpos para combater várias doenças", alertaram as organizações waorani. Outros países da região, como República Dominicana ou Guatemala, anunciaram que estavam diminuindo as restrições impostas para interromper a pandemia.

- Reunião virtual da OMS -
Evitar a propagação é um dos principais problemas nas discussões iniciadas nesta segunda-feira na Organização Mundial da Saúde (OMS). Os 194 países da organização se reúnem virtualmente, pela primeira vez em sua história, para abordar a resposta internacional à pandemia, que até agora demorou a se materializar.

Inúmeros chefes de Estado, governo e ministros participam da Assembleia Mundial da Saúde, o órgão decisório da agência da ONU. Na abertura da reunião, o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, criticou os países que "ignoraram as recomendações" da OMS para responder à pandemia de coronavírus e estimou que o mundo paga um "preço alto" por essas estratégias divergentes.

"Vimos expressões de solidariedade, mas pouquíssima unidade em nossa resposta à Covid-19. Os países seguiram estratégias divergentes e todos pagamos um preço alto por isso", disse. Apesar das crescentes tensões entre os Estados Unidos e a China, os países esperam adotar por consenso uma longa resolução lançada pela União Europeia.

O projeto de resolução pede o início "o mais rápido possível de um processo de avaliação" para examinar a resposta internacional em saúde e as ações tomadas pela OMS em resposta à pandemia.

- Reencontro com o esporte -
De Portugal ao Azerbaijão, passando por Dinamarca, Irlanda ou Alemanha, vários países europeus reabrirão seus restaurantes e cafés, incluindo os famosos jardins da cerveja na Baviera.

Os alemães já tiveram o privilégio de reencontrar o futebol nesta fim de semana, graças à retomada do campeonato nacional, a Bundesliga.

A vitória por 2 x 0 do Bayern de Munique contra o Union Berlin teve sabor especial para os torcedores de futebol, privados de jogos por mais de dois meses devido ao coronavírus.

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