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Evento no Recife combate racismo religioso na área da saúde

A 1ª Mostra de Saúde dos Terreiros acontece em alusão ao Dia Nacional de Combate ao Racismo Religioso

Primeira Mostra de Saúde dos Terreiros. Primeira Mostra de Saúde dos Terreiros.  - Foto: Arthur Mota/Folha de Pernambuco

Em alusão ao Dia Nacional de Combate ao Racismo Religioso, a Secretaria de Saúde do Recife promove, na manhã desta terça-feira, a 1ª Mostra de Saúde dos Terreiros. O encontro tem uma programação gratuita e acontece das 8h30 às 12h, no Museu da Abolição, no bairro da Madalena.

Com o tema “Práticas de Cuidado na Saúde”, a mostra contará com discussões sobre as religiões de maior expressividade no culto afro-brasileiro, o candomblé, a umbanda e a jurema - a fim de pensar e consolidar as estratégias de combate ao racismo religioso na saúde. O evento contará também com apresentações culturais.

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“Infelizmente, ainda hoje, nós temos unidades de saúde que ficam próximas dos terreiros, mas muitos profissionais de saúde não adentram ao terreiro por puro preconceito, por isso discutir a saúde dos religiosos de matriz africana é tão importante”, afirmou a coordenadora da Política de Saúde da População Negra do Recife, Kéthully Silva.

Atualmente, as secretarias de Atenção à Saúde da População Negra levam atendimentos médicos às comunidades religiosas de matriz africana e promovem ações de vacinação e acompanhamento epidêmico nas comunidades e terreiros. O projeto tem apoio da Secretaria de Saúde do Recife.

“Nós trabalhamos a questão do racismo da população negra, que é algo institucional, atualmente nós levamos o acesso a saúde a essas populações, afinal, a falta de atendimento médico também é uma forma de discriminar, por isso, nosso trabalho é promover a equidade e a justiça na saúde da população negra", afirmou Meire Aparecida Nunes, gerente da Atenção à Saúde da População Negra Distrito 3, com atuação no bairro de Casa Amarela.

Herberth Montarroyos, dirigente do Grupo Socorrista Fraternidade da Luz, praticantes da Umbanda, localizada no bairro do Cordeiro, falou sobre um caso de preconceito que aconteceu no seu terreiro.

“Pouco tempo depois que abrimos nosso terreiro nós recebemos ameaças de uma vizinha que era evangélica, ela ficava incomodada com os nossos toques e certa vez ela veio a nossa casa ameaçando chamar a polícia porque não iria permitir o som dos nossos atabaques”, contou Herberth Montarroyos.

Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa
A data escolhida para marcar o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa foi criada por lei em 2007 a fim de relembrar um caso de intolerância contra uma praticante da religião de matriz africana.

No dia 21 de janeiro de 2000, a iyalorixá Mãe Gilda, do terreiro Axé Abassá de Ogum, na Bahia, foi acusada de charlatismo e teve sua casa atacada por praticantes de outras religiões. No dia seguinte ao ataque, Mãe Gilda não resistiu a um infarto e faleceu.

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