Evento no Recife discute qualidade do ar em ambientes fechados

Estudos internacionais apontam a contaminação do ar em áreas internas pode ser de cinco a dez vezes maior que no ambiente externo.

Filtros limpos ajudam a evitar a contaminação dos ambientes por microorganismosFiltros limpos ajudam a evitar a contaminação dos ambientes por microorganismos - Foto: Henrique Genecy

Estudos internacionais apontam que pessoas passam 90% de seu tempo em espaços internos (residência, trabalho, escola etc) e que a contaminação do ar nesses locais pode ser de cinco a dez vezes maior que no ambiente externo. O tema faz parte da XIX edição do Salão Norte Nordeste de Ar Condicionado e Refrigeração (Sannar), evento que começa hoje no Recife e é voltado a discussões sobre qualidade do ar e novas tecnologias. Promete também dar visibilidade a temáticas de saúde, economia, e à aplicação do Plano de Manutenção, Operação e Controle (PMOC), sancionado pelo Governo Federal há exatos quatro meses, com foco em ambientes fechados.

“O brasileiro, de uns anos para cá, tem cada vez mais consciência da importância da qualidade do ar. Porque, além dos benefícios para a saúde, se reduz o absentismo (falta ao trabalho) e aumenta a produtividade. Hoje, temos três coisas que ligam a qualidade de ar ao mercado: a lei, os benefícios de saúde e os benefícios econômicos”, comentou o diretor da EcoQuest do Brasil e membro Departamento Nacional de Qualidade do Ar Interno, Henrique Cury.

O especialista destacou que uma preocupação recorrente no setor envolve a atualização dos equipamentos com vistas a mitigar efeitos nocivos à saúde. “Os ambientes internos têm, muitas vezes mais poluentes que os externos porque as fontes de poluentes nesses locais são enormes. Há não só a parte microbiológica, como bactérias e fungos, mas gases voláteis, carpete, cortina, cola, produtos de limpeza, pesticidas. Tudo isso gera poluição interna”, comentou.

O pneumologista do Real Hospital Português, Blancard Torres, reforçou que a limpeza e manutenção dos equipamentos ajudam a mitigar os danos à saúde. Sem higienização, os filtros são colonizados por fungos e bactérias muito nocivos e até fatais. No entanto, mesmo com o dispositivo limpo, o médico recomenda cautela a períodos de longa exposição ao ar condicionado. “O único benefício é deixar o ambiente confortável. Entre as desvantagens, um problema sério é tirar a umidade. O ar frio e seco faz mal às vias respiratórias, são agredidas, criando processos inflamatórios”, alertou Torres.

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