Estados Unidos

Ex-homem de confiança de Trump segue acusando o republicano

Michael Cohen trabalhou para Trump de 2006 a 2018

Cohen, apelidado de"pitbull" pelo zelo em proteger seu ex-chefe, já se declarou culpado e foi condenado a três anos de reclusãoCohen, apelidado de"pitbull" pelo zelo em proteger seu ex-chefe, já se declarou culpado e foi condenado a três anos de reclusão - Foto: Yuki Iwamura, Curtis Means / POOL /AFP

Michael Cohen, ex-homem de confiança de Donald Trump, retornou nesta terça-feira (14) ao tribunal de Manhattan para ser interrogado pelos advogados do republicano, em um julgamento cada vez mais politizado sobre pagamentos secretos à ex-atriz pornô Stormy Daniels.

Trump recebeu o apoio do presidente da Câmara de Representantes, Mike Johnson, e de seu outrora rival para a nomeação republicana e possível candidato à vice-presidente Vivek Ramaswamy.

Cohen, que trabalhou para Trump de 2006 a 2018 como advogado pessoal e "faz-tudo", voltou nesta terça-feira ao tribunal para ser interrogado pela defesa do magnata,que tenta desacreditar sua versão.

Cohen pagou a Daniels 130 mil dólares (R$ 668 mil na cotação atual) do próprio bolso na reta final das eleições de 2016, para que ela não revelasse uma suposta relação sexual com Trump ocorrida dez anos antes, com o objetivo de evitar um escândalo que poderia ter sido fatal para as pretensões do republicano.

Trump devolveu 420 mil dólares (R$ 2, 16 milhões cotação atual) que incluíam impostos e serviços prestados, entre outras despesas, em 11 cheques, a maioria assinados de próprio punho, depois de Cohen ter apresentado as faturas.

O último pagamento foi feito em 1º de dezembro de 2017, quando o magnata ainda era presidente, conforme documentos apresentados em juízo.

“Fiz tudo o que pude e ainda mais para proteger o meu patrão e já o fazia há muito tempo”, admitiu.

Cohen, apelidado de“pitbull” pelo zelo em proteger seu ex-chefe, já se declarou culpado e foi condenado a três anos de reclusão – tendo cumprido apenas 13 meses e mais um ano e meio em prisão domiciliar – por mentir ao Congresso, e também por crimes financeiros e eleitorais, além de ter perdido a licença para advogar.

O caso Stormy Daniels foi um dos vários escândalos que Trump tentou reprimir às vésperas da eleição na qual derrotou a ex-primeira-dama e ex-secretária de Estado Hillary Clinton.

O atual candidato republicano às eleições de novembro teria então manifestado o seu receio pelo efeito “catastrófico” que estas revelações e o “ódio” por parte do eleitorado feminino iriam causar.

Um tribunal de apelações negou o recurso de Trump de anular a ordem de silêncio imposta pelo juiz que conduz o julgamento, Juan Merchan, que lhe proíbe de falar em público com as testemunhas, jurados e funcionários da corte.

"Instrumentalizado"
"Este não é um julgamento de Donald Trump. É um caso do Partido Democrata contra os Estados Unidos", afirmou o candidato do Partido Republicano às eleições de novembro, contra o atual ocupante da Casa Branca, Joe Biden.

“É o maior esforço para interferir e roubar uma eleição federal na história política americana”, disse Trump ao chegar ao tribunal, que também contou nesta terça-feira com a presença do presidente da Câmara dos Representantes do Congresso.

Johson declarou que o sistema de justiça está sendo “instrumentalizado” contra Trump , primeiro ex-presidente a se tornar réu na justiça criminal e que frequentemente diz ser vítima de um "caça às bruxas".

Os promotores de Manhattan acusam Trump de falsificar 34 documentos contábeis. Ainda que seja condenado à prisão, o ex-mandatário, que tem 77 anos, poderá concorrer à presidência nas eleições de 5 de novembro e, se for eleito, vai retornar à Casa Branca em 20 de janeiro de 2025.

Além do caso de Nova York, Trump foi acusado em Washington e na Geórgia de tentar anular os resultados das eleições de 2020 e de levar documentos confidenciais ao deixar o governo em 2021, embora este último julgamento tenha sido adiado indefinidamente.

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