Internacional

Ex-vice-presidente do Equador voltará para a prisão por caso Odebrecht

Jorge Glas foi condenado por receber propinas milionárias da empreiteira brasileira Odebrecht

Jorge GlasJorge Glas - Foto: Reprodução / Wikipedia

O ex-vice-presidente do Equador Jorge Glas foi detido nesta sexta-feira (20), depois que a Justiça revogou um privilégio a seu favor e determinou sua volta para a prisão onde cumpria pena por receber propinas milionárias da empreiteira brasileira Odebrecht.

A polícia deteve o ex-vice-presidente - que não resistiu à prisão - em sua casa em Guayaquil, segundo vídeos postados nas redes sociais.

"Volto à prisão com muita dor da minha família, mas como parte da minha luta pessoal e de um projeto político que é história viva", disse o vice do ex-presidente Rafael Correa desde 2013 e reeleito na chapa de Lenín Moreno (2017-2021).

Mais cedo, um tribunal da província de Santa Elena (sudoeste) havia decidido "declarar a nulidade" do que foi determinado pelo juiz que concedeu o habeas corpus a Glas em 10 de abril passado, segundo sentença publicada no portal do Conselho do Judiciário. 

A Corte determinou, ainda, a "imediata localização, captura e traslado" do ex-vice-presidente de 52 anos para a prisão da província andina de Cotopaxi (centro), onde cumpria pena de seis anos de prisão por receber propinas da Odebrecht. 

A polícia informou que vai transferir Glas a Quito de avião, sem dar mais detalhes.

"Glas não vai fugir e acho que já o demonstrou. O excesso de infância se impôs mais uma vez", expressou o ex-vice em um vídeo divulgado nas redes sociais antes de ser preso.

Glas também foi condenado em última instância a oito anos de reclusão por pedir propinas a empresários em troca de licitações no caso conhecido como "Subornos 2012-2016", no qual também foi condenado à revelia o ex-presidente socialista Rafael Correa (2007-2017). 

As duas condenações foram ratificadas em última instância.

Em outro caso, o ex-vice foi condenado em 2021 a oito anos de prisão por peculado na concessão de um campo petrolífero. Esta pena ainda não foi executada porque há apelações. 

"Tem havido uma pressão midiática e política sem precedentes sobre o tribunal de Santa Elena, que clamorosamente sentencia contra o Direito", escreveu Rafael Correa em sua conta no Twitter. 

"A maldade voltou a triunfar", acrescentou. 

Após receber o habeas corpus, Glas seguiu para a cidade de Guayaquil (sudoeste), onde mora sua família. Ali apresentou-se periodicamente perante um juiz, como medida substitutiva à prisão. 

O ex-vice-presidente se entregou em outubro de 2017 à justiça, que o indagava pelas propinas milionárias entregues pela Odebrecht para acessar contratos no Equador. 

Ele perdeu o posto em janeiro de 2018, quando o Congresso declarou sua ausência definitiva no cargo após ser condenado. Então, se tornou o funcionário de mais alto nível da América Latina sentenciado pelo esquema de propinas da empreiteira brasileira.

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