Exposição traz centenário da coroação de Nossa Senhora do Carmo

Evento de 1919 mudou a rotina do Recife, com hotéis lotados e muito trânsito culminando na coroação da Santa, ocorrida na Faculdade de Direito do Recife

Coroação Canônica da imagem de Nossa Senhora do Carmo, ocorrida nos jardim da Faculdade de Direito do Recife, em 21 de setembro de 1919Coroação Canônica da imagem de Nossa Senhora do Carmo, ocorrida nos jardim da Faculdade de Direito do Recife, em 21 de setembro de 1919 - Foto: Basílica do Carmo - Recife/Arquivo

Hotéis lotados de visitantes, carros de aluguel esgotados, congestionamentos e viagens extras de trens e bondes. O cenário do Recife há quase 100 anos dá a dimensão da importância da coroação canônica de Nossa Senhora do Carmo, evento que será retratado a partir desta segunda-feira (1º) em exposição fotográfica na Basílica do Carmo, Centro do Recife. Às 19h, uma solenidade apenas para convidados marca a abertura da mostra.

Atuando na curadoria da exposição, o Frei Cristiano Garcia, historiador da Ordem do Carmo e diretor do Museu Carmelitano de História Natural, ressalta que o evento de coroação foi algo diferenciado. Na época, havia apenas quatro imagens coroadas no mundo: Lourdes (França), Luján (Argentina), Guadalupe (México) e Aparecida (Brasil). “Foi um reconhecimento da devoção do povo. A Santa Sé viu que a devoção mariana estava completamente enraizada na cultura da povo, então o Vaticano concedeu a graça de fazer a coroação canônica”, aponta o Frei Cristiano.

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A festividade, ocorrida em 21 de setembro de 1919, reuniu pessoas de todo o Brasil, com bispos e representantes de igrejas do Norte e Nordeste do país. “O comércio parou, todos foram liberados para a procissão. Todos os sinos de igrejas da cidade tocaram no momento da coroação, que ocorreu no jardim da Faculdade de Direito do Recife”, relata o historiador.

A coroação foi o ápice da mobilização da sociedade pernambucana, iniciada em 1911. Naquele ano, uma circular foi entregue a famílias ilustres recifenses, pedindo a doação de joias que seriam compiladas para fazer as coroas de Nossa Senhora do Carmo e do menino Jesus. O resultado foram 3,2 quilos de ouro somente para a coroa da Santa, cravejada com pedras preciosas como diamantes, esmeraldas, rubis e safiras. “As imagens da coroa também estarão na exposição, assim como imagens da coroação e da procissão”, destaca o Frei Cristiano. Para além da grande festa que marcou a cidade há quase um século, a mostra traz também a história cronológica dos carmelitas, mostrando a origem da devoção no século 16. “As pessoas poderão entender de onde veio essa devoção, vamos mostrar que ela não apareceu do nada, ela tem uma origem que será explicada na exposição”.

A visitação pública tem início nesta terça-feira (2). A exposição funcionará de segunda a sexta das 9h às 11h30 e das 13h às 16h30. Aos sábados, as visitações ocorrem a partir das 8h e seguem até 11h30. O valor da entrada, de R$ 4, será revertido para os custos da festa. 

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