“Fake news” não é invenção do revolucionário século XXI

Notícias falsas sempre existiram tanto no Brasil como no resto do mundo

Inaldo SampaioInaldo Sampaio - Foto: Colunista

Muito se tem discutido hoje no Brasil sobre o que a imprensa e o Judiciário deveriam fazer para combater as “fake news” (notícias falsas) que deverão surgir aos montes nessas eleições, invadindo as redes sociais com suposto potencial para influenciar o resultado do pleito. Respeita-se a boa intenção dessas instituições, ressalvado o fato de que “fake news” sempre existiram e vão continuar existindo aqui e no resto do mundo. Exemplos? Na campanha de 1982 para o governo de Pernambuco, marqueteiros do então candidato do MDB, Marcos Freire, mandaram imprimir com antecedência cartazes de rua estampando a legenda “Marcos venceu o debate”. Haveria no dia seguinte um debate na TV entre Freire e o então candidato do PSD (hoje DEM), Roberto Magalhães. E minutos após sua realização a “vitória” do emedebista já havia sido decretada por seus marqueteiros. Em 1985, dias antes de ser empossado na Presidência da República, Tancredo Neves foi diagnosticado com um tumor no intestino, que o levaria à morte. Mas os médicos que o acompanhavam deixaram-se fotografar ao lado dele para dar a falsa impressão aos brasileiros que o presidente estava bem. “Fake news” legítima. Por último, na campanha presidencial de 2006, petistas carimbaram o então candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, como favorável à privatização da Petrobrás, do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal. O tucano passou a campanha na defensiva, negando o carimbo de “privatista”, mas não adiantou. Foi ao segundo turno com Lula e teve menos votos do que no primeiro.

O que valerá para 2018?
PP e Podemos pretendem fazer ao TSE uma consulta importante: para efeito de cálculo do tempo de TV e do fundo eleitoral, vale a bancada eleita em 2014 ou a atual. É que, depois da “janela partidária” encerrada em 6 de abril, as bancadas na Câmara Federal sofreram alterações. O DEM do deputado Mendonça Filho, por exemplo, tinha 19 deputados e passou para 44.

Só Suplicy > Dos atuais senadores do PT, incluindo o pernambucano Humberto Costa, nenhum se encontra em situação confortável para renovar o mandato. E, dos candidatos novos, apenas Eduardo Suplicy, vereador em SP, tem boas possibilidades de retornar ao Senado.

Reza braba > Gleisi Hofmann, presidente nacional do PT, estaria arrependida por ter dito que Ciro Gomes (PDT) não passa no partido “nem com reza braba”. É que o senador José Pimentel (PT) quer ser candidato à reeleição no Ceará e sem o apoio de Ciro sequer entrará na chapa do governador Camilo Santana (PT).

Sem ninguém > Veja, leitor, a fragilidade do nosso quadro partidário. Em 2016 o Partido da Mulher Brasileira (PMB) atraiu para os seus quadros 22 deputados federais, entre eles o pernambucano Adalberto Cavalcanti, eleito pelo PTB. Hoje não tem mais nenhum.

Dura na queda > Marília Arraes (PT) tem conhecimento da movimentação feita por dirigentes do seu partido no sentido de tentar impedi-la de disputar o governo estadual, mas não passa recibo e nem se entrega. No próximo dia 20 pretende fazer um “ato de arromba”, no Recife, e mandar o filme para a direção nacional.

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