A-A+

Coronavírus

Falta de AstraZeneca trava antecipação de segunda dose dose em ao menos seis estados

Estados têm reclamado, nos últimos dias, da falta da vacina para a aplicação da segunda dose

Vacina da AstraZeneca contra a Covid-19Vacina da AstraZeneca contra a Covid-19 - Foto: Hélia Scheppa/SEI

Ao menos seis estados descartam antecipar a segunda dose da vacina contra a Covid-19 a partir desta quarta-feira (15), o que contraria plano do Ministério da Saúde.

A ideia da pasta é reduzir o intervalo de aplicação de 12 para 8 semanas, mas alguns governos dizem que isso será impossível devido à falta de imunizantes.

A redução do intervalo foi anunciada pelo ministro Marcelo Queiroga (Saúde) em agosto. Porém, até a manhã desta quarta (15), a pasta não havia divulgado nota técnica com diretrizes para estados e municípios.

São Paulo, Bahia, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Espírito Santo e Rio Grande do Norte afirmaram à Folha que a medida é inviável enquanto não houver envio pelo governo federal de mais doses, em especial da AstraZeneca.



No Brasil, o imunizante é produzido pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz). Estados têm reclamado, nos últimos dias, da falta da vacina Oxford/AstraZeneca para a aplicação da segunda dose.

A Prefeitura de São Paulo, por exemplo, começou a usar na segunda-feira (13) imunizante da Pfizer para completar a vacinação iniciada com a AstraZeneca. Trata-se da chamada intercambialidade ou vacinação heteróloga, uma prática que, de acordo com estudos, não oferece riscos e pode até trazer vantagens em alguns casos.

Há uma disputa deflagrada entre o estado de São Paulo, de João Doria (PSDB), e a gestão Jair Bolsonaro. O tucano ameaçou ir ao STF (Supremo Tribunal Federal), de novo, para garantir mais doses.

Em nota, a Secretaria de Saúde de São Paulo negou a possibilidade de qualquer antecipação.

"A redução do intervalo de tempo entre primeira e segunda dose depende primordialmente do envio de doses pelo Ministério da Saúde, cabendo também à pasta federal garantir remessas em momento oportuno para aplicação da segunda dose", afirmou o órgão.

O cenário se repete em Santa Catarina. "Por enquanto, com as vacinas fornecidas, não há a possibilidade da redução deste período", afirmou, em nota, a Secretaria Estadual de Saúde.

Já no Rio Grande do Norte, na segunda-feira a Secretaria Estadual de Saúde chegou a recomendar a redução de intervalo da AstraZeneca. Porém, no mesmo dia, o governo teve de recuar por falta de doses.

"A Sesap [secretaria de saúde] emitiu uma nota informativa para todos os municípios orientando que seja retomado o prazo estipulado anteriormente de 90 dias para aplicação da D2 [segunda dose] do imunizante de Oxford/AstraZeneca, para que seja possível conseguir dar vazão a demanda de pessoas a serem vacinadas com a segunda dose", afirmou o órgão, por meio de nota.

À Folha de S.Paulo 11 estados e o Distrito Federal disseram que ainda aguardam pela orientação do Ministério da Saúde para fazer alterações nos programas de imunização. Amapá, Goiás, Piauí, Rondônia e Sergipe não responderam.

Ao menos sete estados já reduziram o intervalo de um dos imunizantes –Pfizer ou AstraZeneca. Foram definidos prazos que variam de quatro a dez semanas.

Esse cenário é registrado no Acre, no Amazonas, em Mato Grosso do Sul, em Pernambuco, no Ceará, no Espírito Santo e no Rio de Janeiro. O Espírito Santo informou que reduziu o intervalo para dez semanas, mas não conseguirá encurtá-lo para oito, como prometido pelo governo federal.

A informação de que haveria a redução do intervalo a partir desta quarta-feira foi reforçada por Queiroga em entrevista na segunda na frente do Ministério da Saúde, em Brasília.

"A partir do dia 15 [de setembro], há como assegurar vacinas para isso [redução do intervalo das doses]. Se porventura a AstraZeneca, por conta de questões operacionais, faltar, eventualmente se usa a intercambialidade", disse o ministro.

O Ministério da Saúde disse, em nota, que a redução do intervalo entre as doses de Pfizer e AstraZeneca está prevista para ocorrer na segunda quinzena de setembro, sem especificar uma data.

Ao ser questionada sobre a possibilidade de intercambialidade entre doses por causa da escassez de vacinas em alguns estados, a pasta disse que não há falta de nenhum imunizante no país.

"O Ministério da Saúde recomenda a intercambialidade de vacinas Covid-19 apenas para grávidas que tomaram a primeira dose da AstraZeneca e devem completar o esquema vacinal com a vacina que não tiver o vetor viral, como Pfizer ou Coronavac", afirmou.

Não é o que ocorre no Maranhão, por exemplo. Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, 29 dos 217 municípios maranhenses interromperam a vacinação com doses de AstraZeneca por falta do imunizante.

"O Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19 foi atualizado nesta segunda-feira (13) pelo Ministério da Saúde, mas não consta a redução do intervalo entre as doses, como foi anunciado pelo próprio ministério", afirmou a secretaria, em nota.

Vice-presidente do Conass (conselho de secretários estaduais de Saúde) na região Sudeste, Nésio Fernandes disse que mais importante do que a redução do intervalo da segunda dose é garantir a dose de reforço para pessoas com mais de 60 anos.

"Estamos aguardando um posicionamento do Ministério da Saúde. Pelo cronograma de doses publicado até hoje acreditamos não ser possível atender a D1 [primeira dose], antecipar a D2 [segunda dose] e aplicar a dose de reforço", afirmou.

De acordo com fontes ouvidas pela Folha de S.Paulo, o Ministério da Saúde deverá, mesmo assim, fazer um anúncio sobre vacinas nesta quarta-feira.

Enquanto isso, estados que haviam encurtado o intervalo podem recuar na medida. Com isso, o prazo pode voltar a 12 semanas.

"Hoje estamos usando o intervalo de 30 dias. Nos próximos dias, dependendo do cenário, podemos retomar o período de 90 dias", disse Renata Quiles, responsável pelo Plano Estadual de Imunização do Acre e coordenadora da Rede de Frios do estado.

Veja também

Primeiros voos cancelados por erupção de vulcão nas Canárias
Ilhas Canárias

Primeiros voos cancelados por erupção de vulcão nas Canárias

Mutirão de arboviroses será realizado neste fim de semana nos bairro do Barro e Beberibe
Saúde Pública

Mutirão de arboviroses será realizado neste fim de semana nos bairro do Barro e Beberibe