Falta de lona pode fazer circo Bambolê fechar

Artistas não podem trabalhar desde que perderam lona que custa R$ 10 mil nas chuvas de junho. Eles recorreram ao Folha Ajuda

Família BambolêFamília Bambolê - Foto: Edward Machado/Folha de Pernambuco

O circo Bambolê, ou melhor, a família Bambolê, precisa de um novo teto para voltar a existir de verdade. As chuvas de junho destruíram a lona que a protege e os fizeram deixar de viver da arte circense e passassem a depender de doações para sobreviver. Poucos artistas permaneceram no local.

No Recife, eles se apresentaram na favela da Xuxa e, há três meses, seguiram para o bairro de San Martin, onde estacionaram de vez por causa das intempéries. Quedaram-se, desabrigados, já que moram e trabalham no mesmo lugar. Recorreram ao Folha Ajuda para pedir uma lona 24 redonda KP 500, que, usada, custa cerca de R$ 10 mil. Quem quiser ajudar, deve entrar em contato com a editoria de Cotidiano, por meio do telefone 3425-5843.

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As águas estragaram a lona, o aparelho de som e danificou toda a estrutura metálica do circo. Como são itinerantes, eles precisam percorrer o Estado em busca de periferias para se apresentarem. Todo o sustento da família vem da bilheteria. Cada ingresso custa dois reais. A soma pagava os salários de 15 pessoas, comprava alimentos e pagava o traslado de cada viagem.

Casados há dez anos, Alexandro Amorim e Maria Aparecida, os donos, continuaram juntos, cuidando de um integrante portador de deficiência mental. O casal compartilha não só o lar e a profissão, mas também as histórias que vivenciaram nos dias de glória do circo.

Desde que chegaram à Zona Oeste, os artistas enfrentaram problemas para se estabelecer. Precisaram acertar contas com a prefeitura, que cobrou estrutura que não tinham. Ficaram 16 dias parados. A própria comunidade se organizou e pagou a licença de uso do solo.

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Poucas semanas depois, uma tempestade destruiu a estrutura do circo. “Estávamos trabalhando. Pouca gente assistia por causa da chuva, mas teve espetáculo. De madrugada, choveu muito e depois tudo se acabou”, contou Alexandro, o palhaço Pililiu.  

A situação fica mais delicada porque o integrante portador de deficiência necessita de atenção especial. “Os cuidados com ele são redobrados e aqui não temos nenhuma estrutura para tratar dele como deveria”, contou Aparecida. Ela contraiu rubéola na gravidez e por isso seu filho não anda e nem fala. Passa o dia sentado numa cadeira de rodas, olhando os ensaios.

Apresentações com atiradores de faca, malabaristas, mágicos, faixa e tecido, palhaço, cuspidor de fogo e dançarinos fazem a agenda de espetáculos do circo Bambolê. Das 15 pessoas que trabalham no local, seis já foram embora e hoje os nove restantes ainda se encontram parados no mesmo terreno onde perderam seus equipamentos. Eles estão sobrevivendo de doações.

“Os vizinhos estão nos dando cesta básica, mas não precisamos só de comida. Temos contas a pagar também e estamos impossibilitados de trabalhar”, explicou Maria Aparecida. Como dormiam embaixo da lona, quando os materiais foram danificados, ficaram sem ter onde repousar. Sem trabalho e sem casa, o grupo mora dentro das cabines de maquiagem e camarins.

O circo foi fundado na década de 70 pelos pais de Alexandro. Dos oito irmãos, apenas ele seguiu o ofício. Em 2006 os pais de Alexandro foram morar em Paudalho e ele assumiu as responsabilidades de dar continuidade ao trabalho com o Bambolê.
Há quatro anos uma enchente em Marcos Freire, Jaboatão dos Guararapes, também destruiu a estrutura do circo.

“Naquela época a gente vivia bem, tínhamos fogão, geladeira e todos os móveis da casa. Vendemos tudo, para conseguir arrecadar dinheiro e se reestruturar. Dessa vez não temos de onde tirar dinheiro para comprar a lona”, disse Alexandro.

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