Coronavírus

Falta de testes prejudica combate ao coronavírus, dizem pesquisadores

Estimativas indicam que em nenhum estado brasileiro os resultados dos testes alcançaram o nível que a OMS considera seguro

Teste rápido de CoronavírusTeste rápido de Coronavírus - Foto: Ricardo ARDUENGO / AFP

A insuficiência dos testes realizados para detectar o coronavírus no Brasil e a falta de informações sobre seus resultados prejudicam o enfrentamento da pandemia e aumentam a insegurança da população, diz um grupo de pesquisadores que monitora as políticas de combate à Covid-19.

Estimativas feitas pelo grupo indicam que em nenhum estado brasileiro os resultados dos testes alcançaram o nível que a Organização Mundial da Saúde considera seguro para o relaxamento das medidas de distanciamento social adotadas para conter a transmissão do coronavírus e proteger a população. A OMS recomenda que as autoridades só flexibilizem as medidas nos países em que os testes alcançarem uma taxa de positividade de 5% e ela for mantida nesse nível durante pelo menos duas semanas, ou seja, quando somente 5 de cada 100 exames realizados no período derem resultado positivo.

No Brasil, a taxa está em 36%, segundo a Universidade Johns Hopkins, dos Estados Unidos. A taxa é a maior encontrada entre os 20 países com mais casos de Covid-19. Não há consenso entre os especialistas sobre um número ideal de testes, ou uma meta de acordo com o tamanho de cada população.



De acordo com as estimativas dos pesquisadores brasileiros, nove estados alcançaram taxas inferiores a 20% na primeira semana de junho. Em São Paulo, a taxa atingiu 51%. Em Minas Gerais, ela foi superior a 100%, porque houve mais casos novos confirmados do que testes realizados nessa semana. "O Brasil não está fazendo testes suficientes para rastrear o contágio e controlar a epidemia", afirma Tatiane Moraes de Souza, da Fundação Oswaldo Cruz, ligada ao Ministério da Saúde, uma das pesquisadoras responsáveis pelo estudo. "Só estamos testando casos graves ou que já apresentam sintomas."

O Ministério da Saúde distribuiu milhões de testes para os estados desde o início da pandemia, mas não houve coordenação das estratégias adotadas pelos governos estaduais para realizar os exames. Vários, como São Paulo e Rio, começaram a relaxar as medidas de distanciamento social neste mês. Os testes são uma ferramenta essencial para o enfrentamento da pandemia porque ajudam a identificar novos casos de infecção em estágios iniciais, permitindo que as autoridades tomem medidas para isolar os infectados e conter a propagação da doença, e evitando que ela sobrecarregue os hospitais.

Segundo o levantamento do grupo de Moraes, oito estados não divulgam nenhuma informação sobre os testes nos boletins que registram a evolução do contágio e das mortes causadas pela Covid-19, entre eles São Paulo e Rio. Outros estados divulgam informações sobre exames, mas de forma incompleta. Somente 14 estados divulgam dados detalhados sobre os exames realizados, diferenciando entre testes do tipo RT-PCR, que permitem identificar o vírus nos estágios em que ele é mais ativo, e testes rápidos, que detectam a presença dos anticorpos produzidos contra o coronavírus nas pessoas infectadas.

Não há estatísticas disponíveis sobre os exames feitos por laboratórios privados, nem sobre os realizados por pessoas que adquirem testes por conta própria em farmácias, porque somente os casos confirmados de infecção pelo coronavírus devem ser informados às autoridades, observa Moraes. "A falta de informação faz com que decisões sobre isolamento e relaxamento sejam tomadas de maneira subjetiva, sob pressão de empresas e com base em considerações políticas", afirma Moraes. "Num momento em que o vírus avança no interior dos estados, isso aumenta a insegurança das pessoas."

O grupo coordenado por Moraes faz parte da Rede de Pesquisa Solidária, que reúne dezenas de pesquisadores de instituições acadêmicas públicas e privadas. A rede tem produzido boletins semanais com os resultados de seus estudos, que estão disponíveis no site da iniciativa.

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