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Família ainda busca reparação para tiro de PM que atingiu menina de 7 anos

Atualmente, a família tenta conseguir judicialmente uma indenização pelas sequelas causadas.

Lara Albert (esq.) levou um tiro na cabeça 15 anos atrás Lara Albert (esq.) levou um tiro na cabeça 15 anos atrás  - Foto: Rafael Furtado

Lara Albert, sobrevivente de uma bala perdida que atingiu sua cabeça em 2003, entregou nessa quinta-feira (19) ao secretário da Casa Civil de Pernambuco, Roberto Franca, um livreto que reúne textos e ilustrações criadas por ela sobre o trauma vivido quando tinha apenas sete anos. O disparo foi feito pelo então tenente da Polícia Militar Tibério Gentil Figueiredo de Lima, que teve todas as punições prescritas e segue em liberdade desde a época do crime. Atualmente, a família tenta conseguir judicialmente uma indenização pelas sequelas causadas.

O caso aconteceu no dia 24 de junho de 2003. Lara estava na sala do apartamento da família, em Boa Viagem, quando foi atingida na cabeça. A perícia comprovou que o tiro partiu do apartamento do tenente, distante cerca de 100 metros. A balística mostrou que a arma utilizada pertencia ao pai do tenente, um coronel reformado. “Só lembro de estar sentada na sala assistindo TV. Depois, de ter olhado para a minha camisa branca e ver que ela estava vermelha de sangue. Minha próxima lembrança é só quando voltei do coma, no hospital”, comenta Lara, hoje com 22 anos, estudante de direito.

“Na época, os médicos falaram que ela teria sequelas, como distúrbio de humor. Hoje esse é o principal problema, além da dificuldade de concentração e organização”, diz Leidjane Albert, mãe de Lara. “Ela foi diagnosticada com depressão e ansiedade”, lamenta.

Em 2007, o PM foi condenado, em primeira instância, a um ano e quatro meses de detenção por lesão corporal culposa. O Ministério Público considerou a pena pequena e a defesa pediu a absolvição. O recurso se arrastou até 2009, quando a 3ª Câmara Criminal julgou o crime como lesão corporal dolosa. “Como a pena permaneceu a mesma, acabou prescrevendo e ele nunca foi preso”, explica o advogado Yuri Albert.

O processo administrativo foi arquivado e Tibério também não respondeu à corregedoria. A família de Lara tenta uma indenização por danos morais e materiais contra Tibério e o pai dele, dono da arma. “O Estado foi excluído do processo na primeira instância, então nós entramos com recurso para que prossiga contra os outros dois”, continua Yuri. “Vamos até o fim.”

A Secretaria de Defesa Social informou, por nota, que uma falha na internet a impediu de acessar os arquivos da corregedoria e não se pronunciou sobre o caso. O advogado de Tibério não retornou as ligações até o fechamento desta edição. O Tribunal de Justiça (TJPE) também não retornou o contato.

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