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Família de pernambucana que morreu na Alemanha desiste de translado e busca recursos para cremação

Luciana Soares da Silva morreu na Alemanha após inalar gás que vazou do aquecedor da casa onde morava. Vaquinha não arrecadou dinheiro suficiente para trazer corpo ao Brasil

Luciana Soares da Silva, pernambucana de 41 anos, morreu na casa onde morava na AlemanhaLuciana Soares da Silva, pernambucana de 41 anos, morreu na casa onde morava na Alemanha - Foto: Cortesia

A família de Luciana Soares da Silva, pernambucana de 41 anos que morreu na Alemanha após inalar gás que vazou do aquecedor da casa onde morava, desistiu de fazer o translado do corpo para o Brasil.

A família tentava repatriar o corpo de Luciana, mas não arrecadou recursos suficientes por meio de doações ou ajuda do governo federal. Os familiares buscam agora arrecadar R$ 40 mil para cremá-la no país europeu.

Luciana morava na Alemanha desde janeiro do ano passado com o companheiro, que é alemão. Com ele, tinha uma filha, uma bebê de apenas dois meses chamada Maria. Ela também morava com o filho, Kauã, de oito anos, e o enteado, de 14 anos. Todos chegaram a ser hospitalizados e receberam alta, exceto a pernambucana, que não resistiu.

De acordo com a família, o translado do corpo custaria cerca de R$ 80 mil. Eles chegaram a abrir uma vaquinha online, mas conseguiram angariar pouco mais de R$ 9 mil. 

Em entrevista à Folha de Pernambuco nesta quarta-feira (7), a filha da vítima, Larissa Kevlyn Sares da Silva, 21 anos, explicou que o translado está fora de cogitação pelo alto valor.

O foco agora, portanto, está em angariar os R$ 40 mil para conseguir cremar o corpo da mãe, por meio da mesma vaquinha online, para que possam, de uma vez por todas, se despedir dela.

"O corpo da minha mãe ainda está lá na Alemanha há todo esse tempo, e agora temos que tentar a cremação. Essa espera, esse tempo que passa está devastando a gente por dentro", disse Larissa.

Como ficam os filhos
Os filhos de Luciana foram os primeiros a receber alta hospitalar porque estavam no andar de cima da casa e inalaram menos gás. Até hoje, eles seguem na cidade de Cölbe, com uma equipe de acolhimento. Familiares tentam trazê-los de volta ao Brasil.

Larissa, o pai e a avó chegaram inclusive a viajar para a Alemanha em 20 de dezembro para tentar agilizar o processo junto à Justiça alemã. A jovem retornou no último domingo (4), após não conseguir estender sua estadia, que era de 15 dias. 

Os outros dois familiares seguem no país por mais duas semanas aguardando uma decisão judicial favorável para trazer as crianças de volta.

Luciana Soares ao lado da filha, Larissa Kevlyn Sares da Silva, e do filho, KauãLuciana Soares ao lado da filha, Larissa Kevlyn Sares da Silva, e do filho, Kauã. - Foto: Cortesia

 A cada dia que passa, no entanto, aumenta a angústia para trazê-los para casa, principalmente pela dificuldade de comunicação com as autoridades alemãs.

"Já queremos voltar com as crianças. A gente não conseguiu ver eles, pela questão da saúde mental. Temos informação apenas pelo Conselho Tutelar, que disse que eles estão bem, brincando, comendo, e que já foram ao médico. A bebê inclusive recebeu as vacinas mensais", explicou.

As crianças também não podem saber de tudo o que aconteceu, para preservá-los, mas também anseiam pela volta para casa.

"[Kauã] fala que sabe que o pai está vindo buscar ele. Ele não sabe de tudo, mas tem no coração que o pai está indo buscar ele", afirmou a irmã.

Relembre o caso
Luciana Soares da Silva morreu em dezembro do ano passado após inalar gás que vazou do aquecedor da casa onde morava. A residência tinha um primeiro andar e ela estava no térreo com o marido. Os filhos estavam no piso de cima.

Luciana foi quem mais inalou o gás, ao lado do marido. Quando ele começou a ficar sonolento com o efeito da substância, conseguiu ligar para a ambulância e pedir socorro.

"Minha mãe foi a óbito porque foi quem inalou mais o gás. O companheiro inalou, mas não tanto quanto ela. Ele ficou internado na CTI, mas já saiu de lá e não está mais em estado grave", explicou Larissa Kevlyn Sares da Silva em entrevista à Folha de Pernambuco na época.

Luciana Soares com o filho Kauã e a filha MariaLuciana Soares com o filho Kauã e a filha Maria. - Foto: Cortesia

A filha ficou sabendo da morte da mãe apenas no dia seguinte, enquanto se arrumava para ir trabalhar. Quem deu a informação foi o companheiro de Luciana, assim que foi liberado do tratamento intensivo. Até isso, no entanto, a família estava aflita, já que a mulher sempre dava notícias.

"Foi uma dor muito repentina. Tinha contato sempre com minha mãe, que era uma mulher saudável de 41 anos. Ninguém imaginava isso", lamentou.

Como ajudar a família
Além da vaquinha online, é possível doar por meio da chave Pix [email protected] e acompanhar notícias no perfil do Instagram @larissakvl_.

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