Famílias voltam a ocupar prédios condenados em Olinda e denunciam violência

Apartamentos no Rio Doce estão abandonados há cerca de nove anos sob risco de desabamento

Joana d'Arc foi agredidaJoana d'Arc foi agredida - Foto: Anderson Stevens /Folha de Pernambuco

Cerca de quatro horas após terem deixado os imóveis, 24 famílias voltaram a invadir dois prédios do conjunto residencial JK, na 4ª etapa de Rio Doce, em Olinda, Grande Recife, por volta das 21h30 desta quarta (23). Há denúncia de que algumas pessoas foram alvo de violência. Os edifícios estavam desocupados há pelo menos nove anos por correrem risco de desabamento.

À tarde, essas mesmas famílias, portando baldes, vassouras e produtos de limpeza invadiram os apartamentos, mas deixaram os imóveis, pacificamente, depois que o vigilante da empresa que fazia a segurança dos prédios, a Asa Branca, acionou a Polícia Militar. Uma equipe do Grupo de Apoio Tático Itinerante (Gati) do 1° Batalhão foi enviada ao local, e as famílias deixaram os apartamentos pacificamente.

As famílias, no entanto, permaneceram no térreo dos prédios com a intenção de chamar a atenção da Prefeitura de Olinda e, com a saída dos policiais, elas reocuparam os apartamentos por volta das 21h. Elas retornaram com colchão com a intenção de passar a noite nos apartamentos, distribuídos em três andares. Segundo algumas famílias, a segurança do condomínio, que foi reforçada com mais quatro vigilantes, agiu com violência para tentar retirá-las.

O Portal FolhaPE chegou logo após o tumulto. A vendedora Joana d'Arc Souza mostrou à reportagem os ombros e braços sujos de cal e arranhados. Segundo ela, um vigilante tentou tirá-la à força do apartamento ocupado. A operadora de caixa Maria Rosa dos Santos disse ter testemunhado a ação dos vigilantes, afirmando que eles usaram pedaço de pau contra as mulheres.

Do outro lado, um dos vigilantes falou com a reportagem e disse que a equipe reforçada chegou aos prédios por volta das 18h e foram surpreendidos pela nova invasão, já que as famílias disseram à PM mais cedo que deixariam o local.

O vigilante disse que não foi usada de violência para tentar retirar o grupo, que teria chegado com porretes de madeira e pedaços de vidro. Em defesa, os homens que participaram da invasão disseram que usaram apenas um cabo de vassoura para defender as mulheres.

Segundo um funcionário da Asa Branca, os prédios foram desocupados porque estão condenados a cair. Ele explicou ao FolhaPE que a seguradora Sul América paga auxílio moradia aos antigos proprietário por força de decisão judicial e contratou a Asa Branca para fazer a segurança dos imóveis.

Por volta das 22h30, uma viatura da Polícia Militar esteve diante dos imóveis, conversou com os vigilantes, mas não permaneceu no local. Segundo o 1° BPM, a polícia só deve retornar ao local se for expedida uma ordem judicial para retirar as famílias.

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