Fechados por causa do coronavírus, circos itinerantes pedem ajuda

Em Pernambuco, são 23 trupes com as atividades paralisadas por conta da pandemia. Campanha foi criada para arrecadar alimentos e materiais de higiene pessoal para os artistas

Sem receber público, circos enfrentam dificuldades financeiras Sem receber público, circos enfrentam dificuldades financeiras  - Foto: Renata Pires/Secult-PE/Divulgação

Sem mais palhaçadas, acrobacias ou números de ilusionismo. Por conta das medidas de prevenção contra a pandemia do novo coronavírus, os picadeiros em todo o Brasil estão vazios. Assim como teatros, casas de show, museus e cinemas, os circos tiveram que parar de funcionar. Sem poder receber público e passando por dificuldades financeiras, as 23 trupes itinerantes existentes em Pernambuco precisam recorrer aos governantes e à solidariedade da população.

Para Tita Alves, de 51 anos, essa tem sido uma situação completamente atípica. A tradição circense já está na sua família há 117 anos. Mesmo passando por muitos momentos difíceis, ela conta que nunca precisou suspender suas atividades durante tanto tempo. “Todos nós nascemos no circo: meu avô, meu pai, eu, meus filhos e agora os netos. É um momento pelo qual a gente não esperava passar e que nos atingiu financeiramente e psicologicamente. Está sendo muito difícil, porque é algo sem previsão de acabar. Ficamos completamente sem chão, sem perspectiva nenhuma”, lamenta Tita Alves, de 51 anos, proprietária do Circo Alves.

Como quase toda a arrecadação dos pequenos circos vêm das bilheterias e da venda de alimentos durante os espetáculos, permanecer de portas fechadas significa não ter renda. Com 15 pessoas em sua equipe, entre crianças e adultos (todos da mesma família), o Circo Alves está atualmente concentrado em Caruaru, no bairro de Fernando Lira. “Já estávamos trabalhando, com a lona armada, quando tudo isso aconteceu de uma hora para outra. O difícil é que somos uma casa como qualquer outra. Tenho duas grávidas e quatro crianças comigo. Sem as apresentações, como nos manteremos?”, questiona a administradora do circo.

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Outros grupos estão enfrentando as mesmas dificuldades da família Alves. Por isso, Comissão Setorial de Circo de Pernambuco, que assessora o Conselho Estadual de Políticas Culturais de Pernambuco, está realizando uma campanha para arrecadar doações. “A gente adotou a estratégia de acionar os agentes locais que atuam onde os circos estão, como as prefeituras, associações de moradores, movimentos sociais e artistas, para angariar doações de alimentos e materiais higiene pessoal. As pessoas se juntam, seguindo todo o rigor de cuidados exigido neste momento, e levam para as trupes”, explica Williams Sant'anna, coordenador do grupo.

Tradição circense está na família de Tita Alves há 117 anos

Tradição circense está na família de Tita Alves há 117 anos - Crédito: Fer Verícimo/Secult-PE/Divulgação



Além da arrecadação de donativos, a comissão entregou ao Governo do Estado, no dia 18 de março, um documento contendo uma série de reivindicações. “Pedimos, por exemplo, um acordo com prefeituras, para que elas possibilitem o fornecimento gratuito de água e luz nos circos neste período, sem cobrança de terreno e mantendo as licenças de funcionamento. Também solicitamos a liberação das verbas do Funcultura para aqueles circos que foram selecionados no último edita e também uma ajuda de custo para as trupes independentes, já todas estão sem conseguir trabalhar”, detalha Williams, que tem participado de reuniões online com a assessoria de arte circense da Secretaria de Cultura de Pernambuco para tentar atender as necessidades urgentes dos artistas.

Enquanto um auxílio mais substancial não chega, Tita Alves vem buscando ajuda por meio da solidariedade do público. As doações arrecadadas ela divide ainda com outros grupos circense instalados em povoados menores de regiões próxima. “O meio de cultura mais acessível ao povo é o circo. Entramos em lugares onde a população nunca viu cinema, teatro ou show. Faço um apelo para que o poder público e as pessoas ajudem os circos itinerantes, porque eles levam cultura boa e barata para a população”, pede a artista. Os interessados em saber onde está localizado o circo mais próximo da sua residência e contribuir com doações, pode entrar em contato com Williams Sant'anna pelo telefone (81) 99615-3489.

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