Feira livre nos vagões do metrô do Grande Recife

Ambulantes circulam livremente dentro das composições oferecendo produtos que vão de pipoca a barbeadores. Usuários têm opiniões divididas

O comércio ocorre dentro dos vagões e, principalmente, nas estações que integram com o SEIO comércio ocorre dentro dos vagões e, principalmente, nas estações que integram com o SEI - Foto: Rafael Furtado

Mal o trem sai da plataforma e o vagão é invadido por uma gritaria de feira livre. Há de tudo no Metrô do Recife: chocolates, bolo de rolo, água, pipoca, picolé e aparelhos variados, como pilhas, fones de ouvido e até barbeadores. Embora a legislação não permita a entrada de ambulantes em transportes coletivos, a crise econômica tem feito muitas pessoas migrarem para o comércio informal. A reportagem da Folha viajou em uma composição, da estação Recife até a do Barro, para ver de perto a situação, após reclamações feitas por ouvintes à Rádio Folha 96,7 FM.

Se de um lado, houve quem reclamasse desse descontrole porque julgou haver falhas na fiscalização. Do outro, alguns passageiros se apiedaram dos trabalhadores. Para a dona de casa Maria Signa, 42 anos, a situação já saiu do controle. “Todo o dia, o vagão invadido por um monte de ambulante. Alguns até brigam na frente da gente por disputarem vendas”, avaliou.

A versão dela é endossada por outras pessoas. “Não é que somos contra o ganha pão de ninguém, mas que pelo menos se fizesse um cadastro”, ponderou o soldador Ricardo Nascimento, 40.

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Já para a dona de casa Jacira Barbosa, 55, há situações mais sérias a serem questionadas do que a livre entrada de ambulantes nos vagões. Para ela, a infraestrutura e a segurança são pontos muito mais graves e que deixam a desejar não é de hoje. Ela lembrou, inclusive, que as passagens, por serem pagas, deveriam ser convertidas na melhoria do transporte. “Eu sou contra a essa perseguição aos ambulantes. É uma matemática simples: você tira o ganha pão deles e força-os a caírem na criminalidade”, afirmou.

Comerciantes, inclusive, relataram abuso de poder e agressões por parte dos fiscais. Eles apelidaram a sala onde sofrem retaliações de “sala da tortura”. “Eles trancam a gente na sala com mais de dez vigilantes, insultam a gente, dão tapas e depois de fazerem o que querem, confiscam os nossos produtos”, denunciou um dos vendedores ambulantes, que preferiu não se identificar por medo de represálias.

A Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) foi questionada sobre essa denúncia de agressões, mas se limitou a responder apenas sobre o comércio informal. Em nota, informou que “a fiscalização é realizada em parceria com a Polícia Militar e a Prefeitura do Recife, através da Dircon, órgão que realiza a apreensão das mercadorias” e que esse procedimento está respaldado por lei.

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