Jogar alimentos para atrair tubarões pode ser causa dos incidentes, diz ICMBio
Ação acontece na área da ilha onde ocorreu o caso envolvendo a advogada Tayane Dalazen
Após uma turista de São Paulo, de 36 anos, ter a perna mordida por um tubarão durante mergulho em Fernando de Noronha, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) iniciou monitoramento com o objetivo de prevenir incidentes provocados por interações com o animal.
A ação acontece na área da Associação Noronhense de Pescadores (Anpesca), região da ilha onde ocorreu o caso envolvendo a advogada Tayane Dalazen.
No local, servidores do ICMBio atuarão diariamente monitorando a visitação, registrando horários e operadores de passeios, verificando se as condutas observadas condizem com as diretrizes do Plano de Manejo da Área de Proteção Ambiental (APA) de Noronha.
Segundo o Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit), em pouco mais de um ano foram registrados quatro incidentes envolvendo interações com tubarões no arquipélago, sendo os dois últimos em intervalo de menos de um mês.
O analista ambiental e coordenador de Ordenamento Territorial do ICMBio de Fernando de Noronha, Mário Douglas Fortini, informou que a espécie envolvida é o tubarão-lixa, animal que costuma se alimentar no fundo do mar e pode ter sido atraído por alimentos ofertados por banhistas.
"A situação é grave. São incidentes provocados, e a gente sabe que o que acontece ali é uma oferta de alimentação inadequada e ilegal. Não é natural essa espécie permanecer na coluna d'água ou nadar continuamente na superfície. A prática de jogar restos de peixe, churrasco ou qualquer tipo de alimento para atrair tubarões para perto de turistas precisa parar", destacou o analista ambiental.
Mário Douglas Fortini também aponta que a solução passa, entre outras ações, pelo diálogo com a comunidade, operadores, condutores de visitantes e administração da ilha.
Coordenador de Ordenamento Territorial do ICMBio de Fernando de Noronha, Mário Douglas Fortini | Foto: Comunicação ICMBio-Noronha/Divulgação"A partir disso, será possível escolher o caminho mais seguro a seguir. Enquanto isso, nós estaremos diariamente na área da Anpesca. Pedimos a colaboração de todos, pois quem chegar ao local por terra poderá ser abordado para identificação e esclarecimentos sobre o uso da área de mergulho livre", explicou Fortini.
O ICMBio orienta que sejam adotadas as seguintes condutas:
- Não alimentar a fauna silvestre, incluindo aves e animais marinhos. Não jogar restos de alimentos na água e manter todo o lixo dentro da embarcação;
- Não entrar na água portando alimentos, seja para consumo próprio ou para oferta a animais marinhos;
- Não se aproximar de animais de grande porte, silvestres, pois podem reagir de forma imprevisível;
- Ao identificar qualquer ação proibida, registrar a ocorrência e encaminhar as informações ao ICMBio;
- Se informar e buscar orientação antes dos passeios sobre as normas e boas práticas ambientais.
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Relembre o caso
No último dia 9 de janeiro, a advogada Tayane Dalazen, turista de São Paulo, teve a coxa da perna direita mordida por um tubarão-lixa durante uma atividade de mergulho em Noronha.
A mulher foi atendida no Hospital São Lucas estável, consciente e orientada, com ferimento superficial, sem risco de vida, segundo informou a unidade de saúde. Foram realizados curativos, prescritos medicamentos e cuidados a serem adotados.
Turista de São Paulo é mordida por tubarão em Noronha | Foto: Instagram/@taydalazen/ReproduçãoNas redes sociais, a vítima relatou que a mordida não foi profunda e que estava bem. O incidente foi registrado por um condutor de visitantes, que gravou o momento em que a turista desce para o mergulho de apneia.
Diversos tubarões circulam até que um deles se aproxima e morde a perna de Tayane. Outra gravação mostra um condutor de visitantes atingindo um dos tubarões com uma câmera momentos antes. Não há confirmação se tratar do mesmo tubarão.

