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Festejar: o momento de aliviar tensões e celebrar o bem-estar

De onde vem o nosso gosto pelas festas, como o Carnaval? O hábito de comemorar é histórico

Caio Vinícius Duarte organiza uma troça carnavalescaCaio Vinícius Duarte organiza uma troça carnavalesca - Foto: José Britto / Folha de Pernambuco

A chegada de um dos períodos mais festivos para o povo pernambucano não poderia passar em branco neste espaço dedicado ao bem-estar. Afinal, um povo que se prepara o ano inteiro para o Carnaval só pode encontrar equilíbrio e satisfação no frevo entre as ladeiras de Olinda e as ruas do Recife. Mas por que será que festejamos? É comum sentir a necessidade de comemorar o passar dos anos, o Carnaval, o São João, o Natal, o Ano Novo e voltar a repetir esses períodos dentro do calendário anual.

Momentos de conclusão, conquista de algo, ou apenas de exaustão são encerrados com uma festa, confraternização ou extravagância. O apreço pelo excesso de som, gente e dança tem uma origem religiosa, na maioria das festas populares. Contudo, a noção de comemoração remete à possibilidade de romper com a ordem e se desvencilhar das normas estabelecidas socialmente.

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PROFANO

Festa é definida como uma reunião de pessoas com fins recreativos e de distensão. Esses momentos em seus primeiros resquícios na história da humanidade estão ligados ao sagrado, à religião. A antropóloga Fernanda de Carvalho elucidou que, apesar de termos desvinculado algumas comemorações religiosas, diversos dos nossos momentos festivos no ano foram estipulados pela ligação com doutrinas. Ela também salientou que essa ligação existia em diversos tipos de cultura e sociedade, como honraria ao sagrado. "No rito religioso há uma transformação de uma coisa profana no sagrado, a festa pela festa é profana. Mas quando você dá um significado religioso para a festa, ela passa a ser sagrada", salientou.



De acordo com a especialista, festa se categoriza como um momento de lazer, que é uma necessidade do ser humano. "O lazer é uma necessidade, indiferente se for ir no bar, numa festa ou ficar em casa, porque se você não tiver lazer você é só trabalho. E, na nossa sociedade, ser só trabalho mata, porque a gente trabalha muito. A gente está sempre trabalhando, a gente está sempre pensando em trabalho, sempre pensando na nossa carreira, porque é isso que importa. 'Quem você é é a sua profissão', só que você precisa de um momento em que você não é uma profissão, você precisa de um momento em que você é você", explicou.

CELEBRAR

Ser agraciado com os frutos do seu trabalho também é um motivo para comemorar. Rafael Veloso, 25, que recentemente recebeu o título de mestre em Engenharia de Produção, encerrou seu esforço de dois anos imerso em pesquisa comemorando com os amigos. Ele acredita que festejar é necessário para que a memória de algo fique encerrada como algo bom. "Quando a gente festeja, a gente vai se lembrar daquele momento e vai celebrar aquele esforço, do que aconteceu. Quando fazemos isso estamos valorizando nosso próprio trabalho, e isso conta muito pra autoestima e você acaba dando salto mais altos, lá pra frente. É uma questão de autoestima e de amor próprio. No meu aniversário, por exemplo, eu estou reunido com pessoas que eu gosto, com minha família, com meus amigos, com pessoas que gostam de mim, então é bom você observar que as pessoas gostam de você. Isso acaba fazendo um bem pra você como pessoa, se sentir amado é massa", relatou.

Fazer parte, enquanto público, de eventos culturais não foi suficiente para ele, que há quatro anos é uma das tantas pessoas que fazem o Carnaval acontecer. Desde que começou a fazer parte do grupo de maracatu Batadoní, Rafael experimenta outro tipo de participação na festa momesca. "É muito bom fazer as outras pessoas felizes, eu sempre fui feito feliz pelo Carnaval e agora estou perpetuando a festa para outras pessoas", salientou.



 

 Caio Vinícius Duarte, 26, também é uma das pessoas que fazem a a folia de Momo acontecer. Organizador da troça carnavalesca Umuarama, em Olinda, ele ama estar em grupos. O afrouxamento das relações sociais, nas festas, faz com que as pessoas estejam mais abertas para fazer amizade, liberar o espírito brincante e interagir até com desconhecidos. "Eu gosto muito de pessoas, de estar entre pessoas, envolvido com gente. Basicamente gosto de música, adoro frevo, gosto de quando tem muita gente. Eu gosto de qualquer festa", assegurou.

O espírito festeiro dos pernambucanos que vão curtir o Carnaval com fantasias, glitter, maracatu e frevo é movido pelos excessos possíveis na festa. Vale lembrar, que algumas regras de convivência do dia a dia continuam sendo seguidas no festejo. Respeitar o próximo, garantir o consentimento na participação da brincadeira e não assediar são essenciais para que o festa seja comemorada em sua plenitude. #vidaplenajaymedafonte

 

 

 

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