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Filhos de Gandhi acusam Capitania dos Portos de discriminação religiosa em festa para Iemanjá no Rio

Organizadores do evento alegam que o órgão não permitiu que os barcos que levavam flores e outros presentes atracassem

Filhos de GandhiFilhos de Gandhi - Foto: reprodução/Instagram/arquivo

Os Filhos de Gandhi fizeram uma homenagem para Iemanjá, na manhã desta quarta-feira, no Píer Mauá, na Zona Portuária do Rio de Janeiro, mas na última hora tiveram de transferir para Praça Quinze a entrega dos presentes para a Rainha do Mar. Os organizadores do evento alegam que a Capitania dos Portos não permitiu que os barcos que levavam flores e outros presentes atracassem.

A Capitania nega e diz que aquela é uma área de atuação da Guarda Portuária, da Companhia Docas. Estava previsto inicialmente um cortejo com duas embarcações, levando 35 pessoas com as oferendas e um dos motes do evento era o combate à intolerância religiosa.

— Foi discriminação religiosa, com certeza. Vamos recorrer dentro de nossos direitos. Tem seis anos que a gente embarca lá e é a primeira vez que isso acontece (a proibição). Esse evento é a louvação onde os Filhos de Gandhi pedem à Iemanjá a abertura de caminhos de paz. Por ser mãe de todas as cabeças pedimos a ela para ter o cortejo e que tenhamos um 2022 próspero, que leve essa doença (Covid-19) maldita embora e que nos ajude a combater a intolerância — afirma Célio Oliveira, organizador do evento.

O mestre capoeirista Criolo também interpreta como intolerância religiosa o impedimento do atracamento dos barcos. Ele disse que em outras épocas do ano isso era permitido e só desta vez estava proibido.

— É a primeira vez que a gente chega aqui e não consegue embarcar com os presentes de Iemanjá. Vejo isso como uma intolerância religiosa  — disse o mestre que todos os anos lidera um grupo de capoeiristas com seus berimbaus, que formam a ala de Guardiões do Presente à Iemanjá.

O cortejo deveria deixar o Pier Mauá com os presentes que seriam depositados na Baía de Guanabara, por volta das 10h. Mas somente depois do meio-dia é que um grupo menor levado por uma caminhonete da Guarda Municipal conseguiu chegar na Praça Quinze, de onde seguiu com as oferendas em uma embarcação.

Muitas flores entres rosas brancas, amarelas e margaridas, colares, bebidas, velas e imagens compunham o presente a Iemanjá, em pequenos barcos feitos de materal biodegradável. Algumas pessoas aproveitaram para colocar bilhetes com pedidos pessoais.

—  Meu pedido era para ter mais um filho. Sou mãe de cinco e perdi o quinto. Todos já estão grandes e não vivem mais comigo. Gosto muito de crianças — justificou Paula Alves, de 30 anos.

A ialorixá Maria  Lídia Moraes considera importante manter as homenagens mesmo com o avanço da Ômicron. Ela argumenta que é uma forma de fortalecer a ancestralidade e combater o racismo e a intolerância.

— Ano passado fizemos um evento pequeno, por conta da pandemia e esse ano estamos retornando. Precisamos trabalhar o combate ao racismo e à intolerância num ano em que Iemanjá está reinando — afirma.

As homenagens dos Filhos de Gandhi começaram desde cedo, em sua quadra na Rua Camerino. Por volta das 9h o grupo seguiu oara a Praça Mauá, onde aconteceu uma roda de capoeira, reunindo em torno de 150  pessoas. A solenidade só termina no fim da tarde, quando estão previstos um encontro de atabaques e um show com Ito Melodia, interpréte da União da ilha, também na quadra.

A Praça Quinze foi palco de outra homenagem à Rainha do Mar, essa sem contratempos, organizada pelas Filhas de Ghandhi. O grupo chegou cedo ao local e deposiou as oferendas nas águas da Baía de Guanabara, por volta das 10h.

—É uma data importante, louvada não só no Rio como no Brasil. É de suma importância para todos os terreiros, filhos de santo e simpatizantes do candomblé — justificou o mestre ogan Kotoquinho, presidente de honra do grupo, sobre a realização do evento presencial apesar do avanço da Ômicron.

A Companhia Docas foi procurada mas ainda não respondeu.

Baianas do acarajé
No data em que se comemora Iemanjá e o Dia da Baiana do Acarajé, as quituteiras de tabuleiro terão sua atividade regularizada por meio de decreto do prefeito Eduarco Paes, que será assinado na tarde desta quarta-feira. A medida vai ajudar também a desburocratizar o processo para obtenção de  licenças para o exercício da função.

— Com isso, elas serão incluídas no dia a dia da Prefeitura com o devido reconhecimento — afirmou o secretário municipal de Cultura,  Marcus Faustini. — Por outro lado, este decreto também serve de combate à intolerância.

 

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