Fim de distanciamento não estava na pauta de grupo de empresários no STF

O encontro, no entanto, acabou sendo marcado por uma discussão sobre a flexibilização da quarentena que foi levantada pelo presidente

Bolsonaro em Reunião sobre o novo coronavirusBolsonaro em Reunião sobre o novo coronavirus - Foto: Marcos Corrêa/PR

A reunião do grupo conhecido como Coalizão Indústria com o presidente Jair Bolsonaro e outros membros do governo tinha uma pauta bem precisa: situação da indústria, ações e doações para o combate ao novo coronavírus, retomada do setor produtivo -com a explicação de que a pandemia veio logo após uma longa crise que atingiu as indústrias- e retomada do crescimento, com diminuição do custo Brasil e a volta da agenda de reformas. O encontro, no entanto, acabou sendo marcado por uma discussão sobre a flexibilização da quarentena que foi levantada pelo presidente.

Leia também:
Bolsonaro pede a Moraes, do STF, reconsideração da nomeação de Ramagem para PF
Bancos já concederam R$ 381,5 bilhões desde o início da quarentena
Ministros criticam ida de Bolsonaro ao STF, e Toffoli também é alvo de reclamações

Segundo relatos ouvidos pela reportagem, quem entrou no assunto foi o próprio presidente ainda durante a reunião no Planalto. Só após isso, segundo relatos, Marco Polo de Mello Lopes, da Açobrasil, concordou com o presidente. Foi nesse momento, dizem os industriais, que Bolsonaro perguntou se eles teriam coragem de falar que a indústria brasileira está na UTI, precisando de oxigênio, com quem estivesse de plantão no STF.

Segundo participantes do encontro, o grupo afirmou apenas que precisa haver um planejamento para a reabertura, para que a indústria possa estar preparada.
"Não teve pedido para reabertura de comércio", disse Synésio Batista, presidente da Abrinq (Associação Brasileira de Brinquedos). Outro industrial, que preferiu não ter o nome revelado, disse que os industriais sabem que não cabe ao presidente decidir sobre a reabertura do comércio, e sim aos governadores e prefeitos.

A coalizão tem se reunido com membros do governo com frequência, sobretudo após o início da pandemia do novo coronavírus. Na última reunião com o ministro Paulo Guedes, da Economia, o grupo havia sugerido que o governo utilizasse os bancos públicos para ajudar a liberar o dinheiro emergencial para pequenas e médias empresas que estão passando por dificuldades por conta da quarentena. Esse foi também uma das principais reclamações feitas durante esse encontro com o presidente.

Guedes e Bolsonaro reconheceram que o crédito ainda não chegou à ponta e afirmaram que estão trabalhando para que o dinheiro chegue para quem precisa de capital de giro. Outro ponto levantado foi o risco de invasão de produtos asiáticos no mercado brasileiro, já que a indústria dos países do continente -especialmente as da China, início da pandemia- já volta a funcionar com normalidade após o surto por lá ter diminuído.

"Achei extremamente positiva a reunião porque o governo reconheceu que precisa resolver o processo de crédito das empresas e que a indústria vai sair prejudicada. Vamos precisar da agenda de competitividade do país e da retomada da agenda do custo Brasil e da reformas", disse José Velloso, presidente da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos).

Os industriais afirmam, no entanto, que o governo não apresentou nenhum tipo de proposta concreta para que o crédito chegue às empresas. Mesmo que a flexibilização não tenha sido uma das agendas previstas para a reunião, foi após um encontro com os membros da coalizão que a proposta para a flexibilização da quarentena imposta para conter o novo coronavírus no estado de São Paulo começou a ser gerida pelo governador João Doria (PSDB). À época, o grupo disse apoiar a quarentena, mas pediu ao governador ao menos uma previsão de quando as coisas começariam a ser flexibilizadas.

O grupo que forma a Coalizão Indústria é um antigo interlocutor do presidente. A primeira reunião com Bolsonaro ocorreu no fim de 2018, uma semana antes do segundo turno das eleições. A Coalizão surgiu como alternativa "para industriais terem uma interlocução direta com o governo, sem depender de entidades como a Fiesp. Atualmente, conta com 15 entidades do setor. Presidente inclui construção entre atividades essenciais.

Brasília
"O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ampliou a lista de serviços essenciais durante a pandemia do novo coronavírus, atendendo a demanda de empresários que se reuniram com ele na manhã desta quinta-feira (7). Além da construção civil, que ele havia anunciado mais cedo, o presidente incluiu, em edição extra do Diário Oficial da União, mais três categorias: atividades industriais, setor de produção, transporte e distribuição de gás natural e o ramo químico e petroquímico de matérias-primas, bem com de produtos de saúde, higiene, alimentos e bebidas.

Com a inclusão na relação, as atividades econômicas passaram a ser autorizadas a funcionar mesmo diante das restrições de circulação determinadas por estados e municípios. Na semana passada, Bolsonaro já havia incluído na relação 13 serviços, entre eles a locação de veículos, o comércio de produtos de higiene e alimentação e o transporte de carga.

Bolsonaro ainda prometeu ampliar a relação de atividades que são consideradas essenciais. Ele prometeu novos decretos nos próximos dias. "O que não está no decreto ficou decidido que estados e municípios diriam se essas categorias poderiam ou não funcionar." Daniel Carvalho e Gustavo Uribe.

Acompanhe a cobertura em tempo real da pandemia de coronavírus

 

 

Veja também

Anvisa atualiza exigências para armazenamento de vacina da Pfizer
Coronavírus

Anvisa atualiza exigências para armazenamento de vacina da Pfizer

Governo negocia com a Pfizer mais 100 milhões de doses de vacina contra Covid
Vacina

Governo negocia com a Pfizer mais 100 milhões de doses de vacina contra Covid