Financiamento coletivo custeia instalação de cisternas no Agreste

A 131 quilômetros do Recife, duas comunidades foram beneficiadas com cisternas que têm capacidade para armazenar, ao todo, 64 mil litros da água vinda das chuvas

CisternaCisterna - Foto: Arte/Folha de Pernambuco

Enfrentar uma caminhada diária de até dois quilômetros para buscar alguns litros d’água já não será mais a realidade para algumas famílias de Riacho das Almas, no Agreste pernambucano. A 131 quilômetros do Recife, duas comunidades foram beneficiadas com cisternas que têm capacidade para armazenar, ao todo, 64 mil litros da água vinda das chuvas (ver arte).

Os reservatórios, que já foram entregues, servirão de alternativa para driblar os inúmeros desafios da falta de acesso à água - cenário agravado com a severa estiagem enfrentada pelo Estado nos últimos seis anos. A iniciativa, da ONG nacional Habitat para a Humanidade, é resultado de um financiamento coletivo encabeçado por um grupo voluntário, que arrecadou R$ 58 mil para a construção dos equipamentos. Nos últimos cinco anos, o projeto beneficiou cerca de 430 famílias distribuídas em 15 municípios do semiárido pernambucano, entre eles Surubim, Bezerros e Caruaru.

Para garantir o uso adequado das cisternas foram promovidos cursos de gestão de água com as famílias beneficiadas. Nessas capacitações, os moradores são orientados quanto à utilização da água sem desperdício e recebem instruções para a manutenção dos reservatórios. De acordo com a gerente de programas da ONG Habitat, Mohema Rolim, mesmo que a previsão meteorológica não seja a das melhores para o Agreste pernambucano, as cisternas garantirão às famílias o armazenamento de água fornecida por meio de carros pipa. “Moradores que possuem cisternas têm direito a receber água, mas o problema é que muitos deles não têm onde guardá-la. Cisterna não é apenas para guardar água da chuva”, justificou.

Na área rural, conforme a gestora, as chances de o projeto dar certo aumentam. O segredo, explica, está na qualidade das águas pluviais. “Diferentemente da área urbana, a rural não é tão afetada com a poluição dos carros e metais pesados, ou seja, não há como a água vir contaminada. O clima é puro, refletindo diretamente na qualidade da água”, afirmou. Uma estimativa da ONG Habitat levou em consideração que, chovendo regularmente durante três meses, o recurso natural poderá ser utilizado por uma família de até cinco pessoas durante nove meses.

Critérios
Nesta primeira etapa, quatro famílias foram selecionadas pela iniciativa. Segundo Mohema, o projeto prioriza aquelas mais vulneráveis, que recebem em média meio salário mínimo por mês, não têm acesso à água em casa e têm crianças, idosos ou pessoas com deficiência física. É aí que os voluntários entram como peça-chave. Até o fim do ano, a ONG estima implantar 100 cisternas. A identificação dos locais está em fase de levantamento pela instituição. A ONG Habitat para a Humanidade começou sua missão no País em 1992. Desde então, já desenvolveu projetos em 12 estados brasileiros e apoiou mais de 60 mil pessoas em regiões de seca.

Veja também

Xi Jinping ataca Guerra Fria 2.0 e defende multilateralismo em Davos
Fórum Econômico Mundial

Xi Jinping ataca Guerra Fria 2.0 e defende multilateralismo em Davos

Avenida fica submersa em Florianópolis após chuvas e rompimento de lagoa artificial
Santa Catarina

Avenida fica submersa em Florianópolis após chuvas e rompimento de lagoa artificial