Florais de Bach: efeito placebo ou farmacológico?

Terapeutas explicam benefícios dos florais de Bach, que tratam a causa emocional das doenças. Cientistas fazem ressalvas

Cada floral serve para equilibrar uma determinada carecterística ou um estado emocionalCada floral serve para equilibrar uma determinada carecterística ou um estado emocional - Foto: Alfeu Tavares

"Não existem doenças, existem pessoas doentes. Tratem os doentes e não as doenças.” Essa era a linha de raciocínio do médico inglês Edward Bach quando, em meados de 1930, o homeapata descobria que a resposta para o equilíbrio mental e corporal estava na essência das flores. Ao atender seus pacientes, Bach percebia que mais importante do que tratar os sintomas era investigar as causas emocionais que os geravam e tratá-las. Para o especialista, a origem das doenças seria proveniente de alterações emocionais como ódio, egoísmo, ignorância, instabilidade mental ou outros sentimentos que podem interferir negativamente nas emoções humanas. O estudo resultou na descoberta de 38 tipos de flores. Cada uma, baseada nas teorias de Bach, servia para equilibrar uma determinada carecterística ou estado emocional. Nascia então a terapia floral, utilizada até hoje por milhares de profissionais da área, que garantem: os florais de Bach são eficazes no tratamento de ansiedade, síndrome do pânico, depressão e muitos outros distúrbios.

Porém, salienta a terapeuta floral e acupunturista Jamille Coelho, o floral não é um remédio. Ele não vai curar uma gastrite (que deve ser tratada por um médico), mas cuidar da causa emocional que levou ao desenvolvimento da doença. Aprendiz dos princípios de Bach, ela explica que os florais entram como uma ótima alternativa por serem naturais, não tendo contraindicação, e podem ser tomados paralelamente com outros tratamentos. Seja por uma gestante ou criança. "Uma pessoa com a mente em equilíbrio é claro que não adoece", afirma, lembrando que pesquisas sobre emoções e o sistema imunológico reforçam o ponto de vista de que a saúde emocional e a física estão relacionadas. “Vejo isso na prática também. Muitos de meus pacientes tiveram resultados positivos após aderirem ao tratamento com florais”, reforça Jamille, que trabalha no ramo há cinco anos.

A rotina frenética de trabalho numa instituição financeira levou Conceição Nunes, 42 anos, a procurar uma terapia alternativa. Ela toma o Elm, um dos 38 florais de Bach, que o inglês colocou no grupo “desânimo e desespero”. “Meu homeopata indicou esse como sendo o floral para quem está sobrecarregado demais. Paralelo ao floral, faço acupuntura e meditação. Posso dizer que nesse último ano sou uma nova Conceição”, declara ela, que mudou os hábitos há um ano e meio.

Crença na cura
Para o professor do Departamento de Botânica da UFPE Felipe Melo, muitas pessoas estão condicionadas ao efeito placebo - que é a ideia de que podemos, essencialmente, curar-nos de doenças simplesmente porque acreditamos que estamos sendo curados. Apesar de respeitar quem é adepto ao tratamento, ele critica o investimento de recursos por parte do poder público num tipo de alternativa terapia que tem embasamento apenas em observações. “Se a pessoa quer tomar floral de Bach, ótimo. Mas, que tire do próprio bolso. Os recursos públicos já são escassos e investir em algo sem comprovação científica é incoerente”, avalia.

Também do setor de Botânica da UFPE, o professor Ulysses Albuquerque faz coro ao colega. Para ele, o assunto está em aberto porque a execução dos experimentos é falha. Ele citou como exemplo um estudo americano feito com crianças hiperativas em uma escola. Todas sabiam o propósito de estarem tomando os florais. Paralelamente, tiveram acompanhamento psicológico juntos aos pais. “O certo era não ter terapia nem as pessoas saberem os possíveis efeitos. O psicológico interfere”, critica. Em setembro deste ano, o pesquisador pretende recrutar voluntários para tomarem florais que tenham efeito contra ansiedade e depressão. “Caso seja aprovado pelos comitês de ética pretendemos fazer esse estudo na UFPE”, adianta Albuquerque.

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