Carnaval

Foliões tentam matar a saudade da festa no Recife e em Olinda

No sábado de Zé Pereira, as duas cidades amanheceram vazia pelo segundo ano consecutivo

A Rua de São Bento, em frente à sede da Prefeitura de Olinda, o sábado de Carnaval amanheceu vazioA Rua de São Bento, em frente à sede da Prefeitura de Olinda, o sábado de Carnaval amanheceu vazio - Foto: Arthur Mota/Folha de Pernambuco

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Quem é de fato bom pernambucano vai ter que esperar mais um ano para se jogar na folia. Pelo segundo ano consecutivo, nem as ruas do centro e nem tão pouco as ladeiras de Olinda estavam cheios neste sábado de Carnaval de 2022. Nada de multidão, irreverência, fantasia, confete ou serpentina.

Foi um sábado de Zé Pereira sem o Galo da Madrugada e sem o sobe e desce dos blocos da Cidade Alta - como acontecia antes da pandemia do Coronavírus. Mas isso não impediu os amantes da festa e do frevo de demonstrarem a sua saudade.

Nas imediações da Ponte Duarte Coelho, local da montagem anual do galo gigante, o  biomédico Geraldo Matos, acompanhado da sua burrinha e de uma caixa de som portátil, tentava levar um pouco de alegria a quem encontrava pelo caminho. “É doloroso ficar mais um ano sem a festa. Mas estou aqui pelas ruas do Recife, desde sexta-feira, para manter acesa a chama do Carnaval e do Frevo”, garantiu ele que conta ser um folião do Galo desde os seus primeiros anos. 

Já na frente do Palácio Enéas Freire – sede do maior bloco de rua do mundo -, a professora Mônica Almeida estacionou sua bicicleta, junto com vários amigos, na hora em que a agremiação deveria estar tomando as ruas do centro.  “Eu saio no Galo desde jovem. Não tem como não vir homenagear Seu Enéas (fundador do bloco) em um sábado como esse”, explicou, devidamente fantasiada como faria em um mundo sem pandemia. 

Em Olinda, a advogada Érika Lócio vestiu sua camisa do Eu Acho é Pouco e foi para os Quatro Cantos esperar o “bloco que não vai passar” como ela mesma definiu. “Sou olindense e foliã, então não tinha como no sábado de Zé Pereira estar longe das ladeiras”.

E é da janela da sua casa, na Rua da Boa Hora, que Jobecilda Airola da Silva, conhecida como dona Dá – responsável por homenagear as agremiações que passam pela rua e já foi homenageada por dezenas delas -  espera ansiosa por 2023. “Meus olhos brilham quando vejo as ladeiras cheias, o sorriso lindo do Homem da Meia-Noite e os blocos subindo e descendo. Mas agora é ter paciência e esperar que outros carnavais virão”, alerta Dona Dá. 
 

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