Fortaleza testa pessoas sem sintomas da Covid-19

Serão feitos 9.900 testes rápidos em visitas residenciais, até o fim de julho

Testes rápidos de coronavírusTestes rápidos de coronavírus - Foto: Thiago Bunzen/Prefeitura de Olinda

Fortaleza iniciou a testagem de pessoas que não apresentam sintomas da Covid-19 para tentar melhorar o mapeamento da doença na cidade. Serão feitos 9.900 testes rápidos em visitas residenciais, até o fim de julho.

A primeira fase do projeto, uma parceria entre governo estadual, prefeitura e a Fiec (Federação das Indústrias do Ceará) começou na terça-feira (2) com 3.300 kits. Inicialmente, 39 dos 121 bairros da capital cearense receberão os agentes de saúde e pesquisadores, que ao fim da coleta vão estimar o percentual de fortalezenses com anticorpos para o novo coronavírus.

As casas a serem visitadas foram escolhidas por sorteio e caso a residência tenha mais de um morador também é feito um sorteio para definir quem será testado, apenas um por imóvel. A pessoa pode se recusar a recolher o material.

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"Esse trabalho é de extrema importância porque os resultados vão nos mostrar a taxa de ataque, ou seja, o percentual da população que já está imunizada. Isso vai fazer com que a gente possa se orientar para as próximas medidas. Como é que a gente vai fazer a retomada das atividades, como é que a gente vai atuar no nosso sistema de saúde daqui por diante", disse a secretária de Saúde de Fortaleza, Joana Maciel.

Uma das primeiras testadas foi Aldira Luz, que mora no bairro São João do Tauape. O teste da aposentada deu positivo para os anticorpos, que é o que o teste rápido detecta. Hoje assintomática, ela disse que há algumas semanas teve indisposição, com febre e diarreia, mas não imaginou que pudesse ser covid-19 porque não teve falta de ar, sintoma que via na TV como o principal da nova doença.

"Tenho saído de casa apenas para ir à farmácia e ao supermercado, devo ter me contaminado em uma dessa saídas", disse Luz. A OMS recomenda, desde o início da pandemia em março, que os países testem o máximo que puderem para conseguir isolar as pessoas contaminadas e identificar regiões mais afetadas que precisam de um isolamento social mais rígido.

Para o infectologista Danilo Amâncio Campos, 43, que trabalha no Hospital São José, referência no estado em doenças infectológicas, a ideia do governo pode ajudar a enfrentar o problema.

"Hoje a testagem está muito concentrada em quem está doente, e temos um universo muito grande de infectados despercebidos. Só temos a sorologia de quem procura o serviço de saúde, e aqueles assintomáticos que estão em casa? Estão invisíveis. Para definir a saúde pública é preciso saber quem está doente", disse Campos.

A procura de pessoas por UPAs ou hospitais com pronto-atendimento com sintomas graves de covid-19 caiu em Fortaleza nas últimas semanas, segundo a prefeitura. Entre 10 e 16 de maio, por exemplo, a média de internações (enfermarias e UTIs) foi de 112 por dia contra 48 na semana passada e 33 nesta.

"Temos uma redução daqueles pacientes que chegam precisando de suporte ventilatório em virtude da gravidade do quadro respiratório. Isso influencia na queda de ocupação de leitos e UTIs", disse o prefeito Roberto Cláudio (PDT). Nesta quinta (4), a taxa de UTIs ocupadas no estado caiu dos 80% pela primeira vez desde 10 de maio e estava em 78,8%.

Até o início da tarde desta quinta os casos confirmados no Ceará eram 59.795, o terceiro maior do país, com 3.813 mortes. Fortaleza concentra os maiores números, com 26.514 confirmações e 2.424 óbitos, mas o aumento da Covid-19 no interior, como Sobral, que tem 2.771 contaminados e 105 mortes, preocupa.

O Ceará iniciou na segunda-feira (1) a reabertura gradual da economia. Serão cinco fases e na primeira, chamada pelo governo de transição, voltaram a funcionar principalmente indústrias, como a química, e a construção civil, todos com no máximo 30% da capacidade operacional.

Também foram liberados a funcionar salões de beleza e barbeiros e centros de treinamentos dos times profissionais de futebol. Dependendo da situação nos hospitais, a segunda fase começa na próxima segunda (8), com liberação de parte do comércio - há previsão de reabertura dos shoppings, com protocolos de higiene a cumprir.

A cada 14 dias haveria mudanças de fases até 20 de julho, quando a reabertura seria quase total. O decreto de isolamento social no estado permanece, e pessoas que não trabalham em setores essenciais, como supermercados e farmácias, e naqueles reabertos devem permanecer em casa. Mas a sensação em Fortaleza nesta semana é de mais carros nas ruas após o início da reabertura, com trânsito em ruas que estavam livres e terminais e ônibus mais cheios.

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