[Fotos] Noite silencia tambores e presta homenagens

No histórico Pátio do Terço, nações de maracatu reverenciaram antepassados durante cerimônia marcante

Noite dos Tambores Silenciosos, no Pátio do TerçoNoite dos Tambores Silenciosos, no Pátio do Terço - Foto: Anderson Stevens/Folha de Pernambuco

Numa cerimônia intensa e emocionante, os antepassados negros foram homenageados na Noite dos Tambores Silenciosos, realizada no histórico Pátio do Terço, no Bairro de Santo Antônio, Centro do Recife. O local era utilizado para o desembarque de escravos e foi palco da morte de muitos deles.

Cerca de 25 grupos de maracatu de baque virado participaram da cerimônia-desfile, que fez a emoção tomar conta tanto dos integrantes das nações de maracatu como também do público presente. “Aqui era parada de navios negreiros e muitos dos nossos antepassados morreram aqui. Por isso fazemos essa espécie de missa, rezada em nagô, um dialeto africano, de onde a grande maioria vinha. O maior símbolo era uma igreja na Dantas Barreto, mas ela foi demolida”, explicou Raminho de Oxóssi, que há 36 anos comanda a noite.

O momento mais esperado dessa homenagem aos eguns, que são os espíritos dos que se foram, acontece sempre quando o relógio marca meia-noite. É quando os tambores são paralisados e as luzes apagadas. Por fim, pombas brancas são soltas. “O silêncio é uma forma de respeito pelos nossos ancestrais”, explicou Raminho. Nessa mistura de emoção e alegria, o público presta toda a sua homenagem.

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