urbanização

Frente Parlamentar discute habitação integrativa no Centro do Recife

Especialistas, empresários e empreendedores debateram sobre a necessidade urgente de habitar os bairros do Recife, Santo Antônio, São José e Boa Vista

A vereadora e presidente da Frente Parlamentar pelo Centro do Recife Cida Pedrosa (PCdoB), abriu a sessãoA vereadora e presidente da Frente Parlamentar pelo Centro do Recife Cida Pedrosa (PCdoB), abriu a sessão - Foto: Reprodução

Durante a 6ª reunião pública da Frente Parlamentar pelo Centro do Recife, realizada na manhã desta sexta-feira (12), via videoconferência, especialistas, empresários e empreendedores debateram sobre a necessidade urgente de habitar os bairros do Recife, Santo Antônio, São José e Boa Vista por meio de projetos integrativos.

A vereadora e presidente da Frente Parlamentar pelo Centro do Recife, Cida Pedrosa (PCdoB), abriu a sessão informando que os encontros possibilitaram entender o que vem sendo planejado pela Prefeitura do Recife e pela iniciativa privada.

“Sabemos que é preciso ter uma agenda de prioridade com a participação ampla da sociedade e a melhor forma de trabalharmos essa temática é ouvindo. Entre as emendas, propomos tirar R$ 5 milhões do recapeamento de ruas para a elaboração de projetos de melhorias para o Centro”, afirmou Cida Pedrosa, destacando que a diminuição da velocidade permitida na área também está entre as propostas.
 


A presidente da Frente Popular pelo Centro do Recife também sugeriu a digitalização dos projetos de urbanização do Recife como uma forma de preservar as informações arquitetônicas e intervenções feitas até os dias atuais. “É a história do Bairro do Recife que pode servir de espelho para outros bairros”.

A arquiteta, urbanista e consultora Amélia Reynaldo participou da reunião e relatou sobre as mudanças nos processos de habitação no Centro do Recife nos últimos 100 anos e as intervenções priorizadas pelas gestões municipais durante esse período, destacando os avanços e retrocessos vividos na área.

De acordo com Amélia, o Centro Antigo, como era chamada à cidade do Recife, foi perdendo população a partir do crescimento de centros secundários de habitação.

A arquiteta e urbanista também destacou o potencial social e econômico que a área carrega a partir de sua atual estrutura com 4 milhões de metros quadrados de área construída, com porto, dois mercados públicos (São José e Boa Vista), oito mil comércios ambulantes e mais de 500 mil pessoas circulando diariamente.
 

Arquiteta, urbanista e consultora Amélia Reynaldo Arquiteta, urbanista e consultora Amélia Reynaldo. Foto: Reprodução

“A falta de continuidade em projetos para o Centro do Recife e a falta de liderança das gestões públicas compromete as oportunidades existentes. Essa construção não é tarefa de uma só gestão, e sim de várias”, disse.

Para falar sobre iniciativas que atravessaram mandatos e deram certo, o consultor internacional e ex-secretário de Cultura e Desenvolvimento Social da cidade de Medellín, na Colômbia, Jorge Melguizo, foi convidado para a ouvida.

Ele apresentou o plano municipal de ordenamento do local que teve como foco a promoção de políticas de convivência social, habitação, mobilidade, cultura e lazer.

“A partir das demandas, ficou estabelecido que seria desenvolvido um centro seguro, com equipamentos culturais e educação recreativa que promovessem convivência e oportunidades para todos”, informou Melguizo, destacando o uso avançado de tecnologia e a preocupação com a sustentabilidade durante as intervenções que foram elaboradas a partir de consultas públicas.
 

Jorge Melguizo contou sobre o projeto realizado em MedellinJorge Melguizo contou sobre o projeto realizado em Medellín. Foto: Reprodução

“A cidade não deve ser pensada para o turismo, mas para seus moradores e população. Se não for bom prioritariamente para os seus moradores, não será bom para ninguém”, destacou, enfatizando que o projeto elaborado há 16 anos em Medellín é preservado por todas as cinco gestões que já passaram pela cidade ao longo dos anos.

O presidente da Câmara dos Dirigentes do Recife, Frederico Leal, que também participou da reunião, reforçou a falta de continuidade das gestões municipais nos projetos de desenvolvimento do Centro do Recife.

 “Nós sempre lutamos para que houvesse uma gerência territorial que recebesse as nossas demandas. Um canal mais direto com a prefeitura”, afirmou Leal destacando que os esforços precisam acontecer em conjunto com a sociedade organizada e o poder público.

Participaram ainda o empresário Breno Coelho que destacou a força da arte como importante ponto de intervenção na cidade, a partir do exemplo do Espaço CriaDouro, iniciativa de economia criativa do bairro de Santo Antônio.

Também participou da reunião pública o empresário Bruno de Castro e Silva que destacou o edifício Sertã, localizado na Avenida Guararapes, como exemplo de moradia que amplia a habitabilidade do Centro do Recife.

Além dele, o empreendedor cultural Jorge Clésio também apresentou a iniciativa da Casa Outrora, residência e espaço de convivência localizado na Rua da Glória, no Bairro da Boa Vista, que trouxe vida para a área e é mais um exemplo de boas iniciativas na região.

Segundo a Secretária Executiva de Desenvolvimento e Inovação do Recife, Gelisa Bosi, a prefeitura tem uma preocupação sobre o que fazer com os bairros e pretende estruturar um projeto com olhar mais estratégico por meio do diálogo.

“Estamos disponíveis para entender todas as necessidades. Entendemos que conseguimos compartilhar ideias de habitação. Também estamos no processo de arrecadação de imóveis para dar uso a esses locais e temos preocupação com a segurança da área”, afirmou Gelisa Bosi informando que novas intervenções devem acontecer na Cidade até o final do ano.

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