[Galeria] Local no Recife com a única torre de dirigível ainda de pé no mundo está maltratado

A torre, único exemplar ainda de pé no mundo, tem 87 anos e está tomada de insetos; a única placa informativa está pendente, o acesso é ruim e não há qualquer estrutura

Torre do ZeppelinTorre do Zeppelin - Foto: Rafael Furtado/Folha de Pernambuco

O início da mais recente restauração da torre de atracação do Zeppelin e de 12 paióis da Segunda Guerra Mundial, no bairro do Jiquiá, no Recife, fez cinco anos em 2017. A Prefeitura da Cidade do Recife (PCR), responsável pelo espaço, disse à reportagem que parte do projeto já foi concluída, mas a aparência diz o contrário, principalmente levando em conta que o total previsto para o restauro é de quase R$ 6 milhões. Visualmente, o local é maltratado demais para a importância histórica que tem: a torre, único exemplar ainda de pé no mundo, tem 87 anos e está tomada de insetos; a única placa informativa está pendente, o acesso é ruim e não há qualquer estrutura para visitação.

Segundo a gerente de Ciência e Tecnologia da Secretaria de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente da PCR, Alexandra Braga, foram concluídas as etapas de restauro da torre e dos sete paióis de alvenaria, que datam da Segunda Guerra Mundial. Outros cinco paióis, de estrutura metálica, aguardam liberação de recursos do Ministério
da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, parte do convênio, para serem recuperados. Procurado pela reportagem, o Ministério confirmou o convênio com a PCR e prometeu se pronunciar sobre o andamento nesta segunda-feira (11).

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A torre de atracação foi construída em 1930 para a primeira viagem do alemão Graf Zeppelin ao Brasil. No local, uma placa indica que o projeto tem previsão de recursos
na ordem exata de R$ 5.939.839,04 e deveria ter sido concluído em 31 de agosto passado. Alexandra lembrou que, de fato, o processo começou em 2012, ainda na gestão do prefeito João da Costa (PT), com a licitação da empresa que tocaria a obra, a Artesanal Arte e Restauro. A gerente informou ainda que o contrato com a empresa foi
renovado até fevereiro de 2018, prevendo, agora, o restauro dos cinco paióis restantes e eventuais manutenções necessárias nos procedimentos já feitos.



Detalhando o que já foi executado, a gerente citou a recuperação das “sapatas”, estruturas que fixam a torre ao solo, que estavam oxidadas e passaram por limpeza e
aplicação de primer e pintura, e o restauro da tubulação subterrânea, utilizada para abastecimento dos dirigíveis. Nesse processo, segundo a gerente, também foram retirados insetos, mas, como foi dito, a torre está cheia deles novamente.

“A torre do Campo do Jiquiá é a última do mundo; a única que existe. É um patrimônio do mundo. Estou fazendo um trabalho de catalogação, pois espero que, no futuro, seja criado um museu do Zeppelin no Jiquiá”, sugeriu o restaurador pernambucano Jobson Figueiredo em entrevista à Folha no lançamento da exposição “Zeppelin: Recife-
Rio”, em maio deste ano. Esses museus são antigas promessas que também não se concretizaram.

O dirigível também foi usado como arma de guerra. O Recife passou sete anos recebendo dirigíveis vindos da Alemanha, até que as viagens cessaram em todo o mundo, em 1937, quando um modelo explodiu no ar, matando 36 pessoas, instantes antes de pousar em Nova Jersey, nos Estados Unidos.

Estudos
Em 1932, a estrutura passou por uma reforma para instalação de uma torre telescópica que viabilizaria o abastecimento do dirigível Hindenburg. “Após encerramento das
viagens dos dirigíveis em 1937, a torre ficou esquecida até 1981, quando foi tombada”, escreveu a pesquisadora Nadia Leschko, autora de uma tese que trata sobre a passagem do dirigível Graf Zeppelin pelo Brasil. O tombamento foi realizado pela Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), registrado no processo 0.314-A/1981.

O trabalho registra ainda que, diante da necessidade de restauro, o serviço foi iniciado em 2007 e finalizado em 2013, “com vistas à instalação de um parque de visitação e museu do local e do Zeppelin”. Na visita que fez, em 2015, a pesquisadora ouviu relatos no local que a torre atrai muitos visitantes estrangeiros, especialmente da Europa. “Esse relato espontâneo e casual demonstra o impacto que o evento teve na memória coletiva recifense”.

Lazer
Cabe à Secretaria de Turismo, Esportes e Lazer de Pernambuco (Seturel-PE) a execução do projeto Praça da Juventude do Recife – Jiquiá, que prevê estrutura de lazer e
esportiva. A previsão de entrega, segundo a secretaria, é até o início do mês de outubro deste ano. O espaço contempla quadra poliesportiva coberta, quadra de vôlei de areia, campo de futebol, pistas de skate e caminhada, área para ginástica e alongamento, área de convivência e vestiários, um anfiteatro para atividades culturais e artísticas e duas caixas de salto em distância/triplo para atletismo.

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