Gari: Uma profissão essencial, mas, por vezes, esquecida

Neste sábado, no Dia do Gari, profissionais pedem conscientização das pessoas no combate ao coronavírus

Categoria atua tanto nas vias principais da cidade quanto em áreas de difícil acessoCategoria atua tanto nas vias principais da cidade quanto em áreas de difícil acesso - Foto: Paullo Allmeida/FolhaPE

Enquanto boa parte da população fica confinada para se proteger contra o avanço do novo coronavírus, profissionais de serviços essenciais precisam manter a rotina de trabalho - alterada apenas pelo reforço nos cuidados com a saúde, por meio de equipamentos específicos para evitar a contaminação. É nesse grupo que se encaixam os profissionais da limpeza pública. Atividade ainda mais necessária durante o período de pandemia. Neste sábado, a classe comemora o Dia do Gari. Como presente, os trabalhadores pedem a conscientização da população contra a Covid-19 e o respeito por quem está nas ruas fazendo sua parte para ajudar no combate à doença.

O gari é responsável pela limpeza pública, podendo atuar tanto no varrimento, na coleta de resíduos e lixo orgânico ou na limpeza de córregos e outras áreas. "Aqui em Pernambuco, nós temos aproximadamente 18 mil profissionais na área, sendo mais de três mil só no Recife. Eles atuam tanto nas vias principais como também em áreas de difícil acesso, como morros. Fazem capinação, limpam matos, coleta domiciliar, tudo para manter a cidade limpa", frisou o diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Asseio e Conservação de Pernambuco (Stealmoaic), Rinaldo Lima.

Os profissionais de limpeza têm trabalhado com máscaras e com os demais equipamentos de segurança para evitar contaminação com a doença por conta do contato com o lixo. Lima citou uma forma de como a população pode minimizar ainda mais o risco de contágio dos garis. "O maior problema que eles estão enfrentando é o fato de muitas pessoas colocarem máscaras descartáveis no lixo comum, o orgânico. O correto é colocar esse material em um lixo separado para, quando os garis forem recolher, saber que ali tem algo relacionado ao coronavírus. Seja máscara, algum lenço, entre outras coisas. O saco pode ser de outra cor, sem ser o tradicional preto. Sem falar que, quando vai para o lixão, muitos catadores, em busca de comida ou produto, podem se contaminar. Também não é aconselhado jogar máscaras na rua. Pedimos que todos sigam as orientações dos órgãos de saúde", completou.

De acordo com o presidente da Força Sindical, Rinaldo Junior, é preciso um maior reconhecimento ao trabalho dos profissionais. "A função deles é essencial, mas muitas vezes é esquecida. Em um período como esse, os garis são fundamentais no combate à doença. A categoria é uma das que mais luta, e nós damos a assistência e o suporte necessários ao trabalho deles. Recentemente, muitos profissionais foram demitidos, mas tiveram a ajuda da Prefeitura do Recife, que deu cestas básicas. É um período difícil, por isso pedimos que as pessoas fiquem em casa e reconheçam o trabalho de quem está nas ruas", declarou.

Um desses profissionais da área é João Antônio, de 62 anos, mais conhecido como "Café". Trabalhando há mais de 40 anos na área, o gari diz que, embora o serviço ainda seja visto de forma preconceituosa por parte da população, se orgulha da função. "Alguns discriminam mesmo, jogando lixo na rua e dizendo 'se eu não fizer isso, você não tem emprego'. Mas eu não ligo. Quando estou trabalhando, eu procuro esquecer esses problemas. Há também quem nos elogie, principalmente depois do coronavírus. Cada pessoa tem um papel a fazer na vida. O médico salva vidas, o professor ensina, a polícia mantém a ordem e nós cuidamos da limpeza dos lugares."

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