Estudantes do Colégio Militar do Recife brilham na Genius Olympiad, nos Estados Unidos
Quatro estudantes apresentaram projetos voltados à sustentabilidade e às questões ambientais
O grupo de quatro estudantes do Colégio Militar do Recife (CMR) que conquistou uma medalha de prata na Genius Olympiad, na St. John Fisher University, nos Estados Unidos, desembarcou na capital pernambucana por volta das 3h desta segunda-feira (15). O evento, que é uma das maiores feiras de sustentabilidade do mundo, aconteceu entre 7 e 13 de junho.
A equipe que representou Pernambuco no evento é formada pelos alunos do ensino médio João Gabriel Dutra e João Braga, ambos de 17 anos; e Lais Ribeiro e Leonardo Schuler, de 16.
Os projetos brasileiros conquistaram oito premiações: duas honras, três bronzes e três pratas, sendo duas dessas premiações conquistadas pelos estudantes pernambucanos.
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O projeto de João Gabriel e João Braga, do 3º ano do ensino médio, apresentou o FilterBoat, uma nova tecnologia modular que trabalha o pré-tratamento multifuncional de esgoto hospitalar.
Já Lais Ribeiro e Leonardo Schuler, do 2º ano do ensino médio, desenvolveram o BioSorb, que trata do desenvolvimento de bioadsorventes para remediação de pesticidas em sistemas aquáticos.
Relevância
Em entrevista à Folha de Pernambuco, João Gabriel expressou a alegria de ter sido reconhecido com tal honraria. Junto ao colega de sala, ele levou quase um ano para construir o projeto. Tudo começou na tradicional feira de ciências da escola de 2025. Eles também participaram de outros eventos até chegar à Genius Olympiad.
“Os nossos projetos também já participaram da Mostratec, que é a maior feira de ciências da América Latina, realizada no Rio Grande do Sul. João Braga e eu ficamos em primeiro lugar. Já Laís e Leonardo ficaram em terceiro lugar. Esse projeto do FilterBoat é fruto de uma parceria do CMT com o Instituto Federal de Pernambuco, buscando conciliar o melhor dos dois mundos. Nós entramos com a parte química do processo e o IFPE com a engenharia”, diz o estudante.
João Dutra vê no FilterBoat uma solução eficiente para o esgoto hospitalar, que chega a ser quase 15 vezes mais tóxico que o tradicional e é tratado, segundo ele, igual ao esgoto doméstico e não passa por um pré-tratamento antes de ir à estação final, aumentando as chances de proliferação de bactérias e favorecendo o surgimento de novas pandemias.
“Com isso, acontecem dois cenários: o esgoto é levado à estação de tratamento regular ou é lançado diretamente no rio, que é a atitude mais drástica de todas. Nas duas situações ele é um problema, esse efluente constitui um ambiente extremamente propício para o desenvolvimento da resistência nas bactérias. Isso acontece porque a concentração de fármacos é muito superior aos resíduos residenciais”, detalha.
“O FilterBoat entra exatamente onde não existe esse cuidado. Ele pode ser implementado diretamente nos tanques e cisternas dos hospitais para que esses materiais mais perigosos, como fármacos e antibióticos, sejam removidos antecipadamente. O nosso trabalho compreende biocarvões que nós mesmos produzimos. Eles são acoplados a um sistema de pré-tratamento com várias etapas capazes de remover antibióticos e outros poluentes”, complementa o aluno.
Desde março de 2025, a dupla Laís e Leonardo desenvolveu o BioSorb, inicialmente para a mostra científica do CMR e, posteriormente, para as demais competições. Participar da Genius Olympiad já era um desejo dos dois estudantes. Leonardo Schuler enxerga no projeto uma solução para as comunidades ribeirinhas.
“Ele se mostra como uma opção mais barata para resolver um problema que o Brasil não consegue resolver de forma fácil, que é a tratamento da água dos rios presentes nessas comunidades. Eu acredito ainda que com o nosso filtro e utilizando o carvão ativado desenvolvido pela equipe, conseguimos remover grande parte desses contaminantes. Ele pode se tornar uma possível solução futura para resolver problemas das comunidades ribeirinhas”, declara.
Visão pedagógica
Quem os incentivou durante o evento foi a professora de geografia do CMR Goretti Cabral. Segundo ela, esse reconhecimento pode motivar outros colegas de classe a desenvolverem projetos voltados à área ambiental, fomentando-os a também participar da feira de sustentabilidade.
“Na volta para a sala de aula, todos querem saber cada detalhe do evento, pois os colegas atingiram algo que parecia utopia. Apesar do trabalho intenso que precede uma atividade como essa, chegar a um evento desse e provar que nossos alunos podem produzir ciência de alto nível, me motiva cada vez mais”, aponta ela.
“A medalha de prata parecia um sonho distante, mas foi conquistada. Então, podemos, sim, sonhar com uma medalha de ouro. Trabalho persistente, muita dedicação e apoio podem levar nossos jovens a alcançar grandes conquistas”, finaliza Goretti.

