Governador se acerta com os rebeldes da Frente Popular

As bases da Frente Popular estão cobrando o anúncio da chapa majoritária

Inaldo SampaioInaldo Sampaio - Foto: Colunista

O governador Paulo Câmara conversou recentemente com os “rebeldes” da Frente Popular e aparentemente conseguiu “domá-los” para as eleições deste ano. A principal preocupação era com o deputado Eduardo da Fonte, que comanda uma bancada de deputados estaduais superior à do próprio PSB, além de contar em seu partido com mais de 70 candidatos distribuídos por todas as regiões do Estado. Ele exige um lugar na chapa majoritária, não necessariamente para ele e sim para alguém do seu grupo. E teria recebido a garantia de que será atendido. Quanto ao chamado “grupo Ferreira”, o governador também conversou com o prefeito Anderson (Jaboatão) e seu irmão, André, deputado estadual e presidente regional do PSC, mas não prometeu dar o que eles querem: uma vaga de senador para este último. As vagas estão prometidas a Jarbas Vasconcelos e a Humberto Costa, ficando o lugar de vice reservado para o indicado por Eduardo Fonte. No entanto, como na política as coisas às vezes mudam em questão de minutos, há também a possibilidade de esses dois grupos serem contemplados com espaços no governo, já que há secretarias vagas e cargos no segundo escalão. Em todo caso, a intenção do governador é fechar sua chapa o mais rápido possível para poder botar o bloco na rua. As bases estão inquietas, cobrando uma definição, mesmo porque Armando Monteiro e Mendonça Filho começaram ontem por Petrolina sua peregrinação eleitoral.

Coeficiente eleitoral
Pelos cálculos dos deputados estaduais, ninguém chegará à Assembleia Legislativa pelo “chapão” do PSB com menos de 50 mil votos. Já pela “chapinha” do PP seriam necessários, apenas, 35 mil. Mas, mesmo que esse cálculo se confirme, a “chapinha” elegeria tão somente 10 parlamentares. Significa que pelo menos quatro dos atuais 14, perderiam a eleição.

Comando firme > Quem deixou seus antigos partidos para se filiar ao PP foi previamente avisado pelo presidente Eduardo da Fonte que teria que seguir sua orientação, qualquer que fosse ela, nas eleições deste ano. Daí o medo que o PSB tem da força política dele.

O embate > Jarbas Vasconcelos (MDB) e Mendonça Filho (DEM) caminharam juntos em Pernambuco desde a eleição de Gustavo Krause para o governo estadual em 1994. Foram aliados, portanto, durante 24 anos. Agora, os dois vão se enfrentar na disputa para o Senado e, para sorte de ambos, há muita gente do governo e da oposição querendo votar neles.

A evolução > Marina (Rede) mudou para melhor o seu discurso em relação à campanha de 2014. Está falando com mais clareza e mais profundidade sobre as grandes questões nacionais e não apenas sobre meio-ambiente. Por isso sua recente passagem pelo Recife foi um sucesso.

Tem força? > Sílvio Costa (Avante) pretende, nessas eleições, igualar-se a Fernando Bezerra Coelho (MDB), que saiu do pleito de 2014 com um senador, um deputado federal e um deputado estadual. O senador seria o próprio Sílvio, o federal Sílvio Costa Filho, e o estadual seu caçula, João Paulo. Porém, falta ainda ter uma “Petrolina” como base para decolagem.

O discípulo > Klebel Cordeiro, eleito prefeito de Salgueiro pelo MDB, segue a orientação política do senador Fernando Bezerra e não do vice-governador Raul Henry. Por isso, está apoiando Armando Monteiro (PTB) para governador e não Paulo Câmara (PSB).

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