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Governo da Autoridade Palestina apresenta renúncia ao presidente Abbas

Demissão do Executivo foi anunciada depois que países da região e vários governos ocidentais pediram uma reforma da Autoridade Palestina

O primeiro-ministro palestino, Mohammad Shtayyeh, ao lado de um retrato do presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmud AbbasO primeiro-ministro palestino, Mohammad Shtayyeh, ao lado de um retrato do presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmud Abbas - Foto: Zain Jaafar/AFP

O governo da Autoridade Palestina, com sede na Cisjordânia ocupada, apresentou sua renúncia nesta segunda-feira (26) ao presidente Mahmud Abbas, anunciou o primeiro-ministro Mohammad Shtayyeh.

"Apresentei a demissão do governo ao presidente em 20 de fevereiro e a submeto hoje por escrito", afirmou Shtayyeh em Ramallah, antes de explicar que a decisão acontece "à luz dos fatos relacionados com a agressão contra a Faixa de Gaza e a escalada na Cisjordânia e Jerusalém".

Desde o início da guerra em Gaza, em 7 de outubro, entre Israel e o movimento islamista palestino Hamas, o presidente Mahmud Abbas, de 88 anos, tem sido muito criticado por sua "impotência" diante dos bombardeios israelenses na Faixa e do aumento da violência na Cisjordânia ocupada.

Desde os confrontos de junho de 2007, a liderança palestina está dividida entre a Autoridade Palestina de Abbas, com um poder limitado na Cisjordânia, território ocupado por Israel desde 1967, e o Hamas, que governa a Faixa de Gaza.

"A próxima etapa exige novas medidas governamentais e políticas que levem em consideração a nova realidade na Faixa de Gaza [...] e a necessidade urgente de um consenso interpalestino", afirmou Shtayyeh.

A demissão do Executivo foi anunciada depois que países da região e vários governos ocidentais pediram uma reforma da Autoridade Palestina que, a longo prazo, poderá ficar à frente do governo na Cisjordânia e na Faixa de Gaza.

 

Em uma entrevista na semana passada à AFP, o opositor Nasser al Kidwa, ex-chefe da diplomacia palestina e sobrinho de Yasser Arafat, pediu um "divórcio amistoso" de Abbas e defendeu uma renovação da liderança palestina, incluindo alguns membros do Hamas.

A guerra começou após um ataque sem precedentes do Hamas em território israelense, quando 1.160 pessoas, a maioria civis, foram assassinadas, segundo um balanço da AFP baseado em informações divulgadas pelas autoridades israelenses.

Em resposta, Israel prometeu "aniquilar" o Hamas e iniciou uma campanha militar contra a Faixa de Gaza que deixou 29.782 mortos, a maioria mulheres e menores de idade, segundo o Ministério da Saúde do movimento islamista.

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