Colômbia

Governo da Colômbia e ELN retomam diálogos de paz

Em 20 de fevereiro, esta guerrilha, a última da Colômbia, questionou uns "diálogos regionais" com o ELN no departamento de Nariño

Colômbia Colômbia  - Foto: Pixabay

O governo da Colômbia e o Exército de Libertação Nacional (ELN) anunciaram, nesta segunda-feira (26), em Havana, seu compromisso de continuar com "o bom desenvolvimento do processo de paz", dias após a guerrilha declarar um "congelamento" das negociações.

"Analisamos os avanços nos acordos e os problemas enfrentados pela mesa de diálogo para a paz, frente aos quais cada parte assumiu compromissos para o bom desenvolvimento do processo de paz", disseram em um comunicado conjunto.

"Continuaremos com as atividades previstas nos acordos. Faremos uma avaliação das gestões e compromissos durante o sétimo ciclo", que ocorrerá na Venezuela em abril, acrescentaram as partes após uma reunião de dois dias na capital cubana.

Em 20 de fevereiro, esta guerrilha, a última da Colômbia, questionou uns "diálogos regionais" com o ELN no departamento de Nariño (sudoeste), onde o governador local havia anunciado conversações naquela zona para a primeira semana de março, segundo uma declaração à imprensa.

A liderança do ELN disse então em um comunicado de Cuba que aquele diálogo local estava "fora" do "processo nacional" e desconhecia "a Delegação do ELN e a Mesa onde participa a Comunidade Internacional".

"Ao se tornar público tal montagem, disfarçado de diálogos regionais, o processo entra em aberta crise", acrescentou então o grupo.

O novo compromisso surge de uma reunião entre 24 e 26 de fevereiro entre as partes em Havana, a pedido dos países garantes que acompanham o processo, indicou o comunicado.

Resultados positivos
"Saúdo os resultados positivos e os compromissos assumidos pelas delegações" e "confio que as partes continuarão avançando nos acordos alcançados e na solução dos desafios que surgirem através do diálogo", disse por sua vez Carlos Ruiz Massieu, Representante Especial do Secretário-Geral da ONU na Colômbia, na rede social X.

No início de fevereiro, as duas delegações haviam concluído em Havana um acordo para prorrogar por seis meses o cessar-fogo nacional, em vigor desde agosto passado, no qual o ELN se comprometeu a suspender os sequestros.

As delegações realizaram seis ciclos de diálogo desde novembro na Venezuela, México e Cuba, em meio a turbulências.

Os momentos de tensão vão desde "paralisações armadas", onde os rebeldes ordenam a milhares de pessoas que se confinem, até o sequestro do pai do jogador de futebol Luis Díaz (Liverpool, Inglaterra), libertado dez dias depois, bem como confrontos com outros grupos armados.

O governo de Gustavo Petro, primeiro esquerdista a chegar ao poder na Colômbia, aposta em uma saída final dialogada para seis décadas de conflito armado e violência, após o histórico acordo de paz de 2016 que desarmou o grosso das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Beligerante desde 1964, o ELN tem um contingente de cerca de 5.800 combatentes e uma ampla rede de colaboradores, segundo inteligência militar.

Embora tenha um comando central, seus frentes são autônomos no campo militar, o que, segundo especialistas, dificulta as negociações.

A Colômbia vive um conflito armado que em mais de meio século deixou 9,5 milhões de vítimas, a maioria deslocados. A cocaína, combustível da violência, atinge recordes históricos no maior produtor dessa droga.

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