Governo de SP vê coronavírus por ora estabilizado na capital paulista

Adoção de medidas de restrição mais duras que as da quarentena não está nos planos de João Doria

Governador do Estado de São Paulo, João Doria, durante coletiva de imprensa sobre coronavírus.Governador do Estado de São Paulo, João Doria, durante coletiva de imprensa sobre coronavírus. - Foto: Divulgação/Governo do Estado de São Paulo

O governo do estado de São Paulo diz que não há "lockdown no horizonte" para a capital, medida que chegou a ser aventada pela prefeitura, no final de semana. A adoção de medidas de restrição mais duras que as da quarentena não está nos planos por ora pelo seguinte:

1) O número de novas mortes e casos é alto, mas há estabilidade;

2) A adoção do megaferiado na cidade pode ajudar a reforçar essa situação;

3) A Polícia Militar diz que seria preciso aumentar o efetivo na cidade, talvez dobrar, a fim de que pudesse vigiar a adoção das medidas restritivas de circulação na cidade;

4) O governo estadual estuda a adoção de um megaferiado na região metropolitana de São Paulo, logo depois do feriado paulistano, o que ajudaria a limitar a circulação também na cidade de São Paulo.

O governo estadual diz que não há "estabilização" do número de mortes, mas "estabilidade". Pode ou não ser transitória, pode ou não haver possibilidade de redução do número de óbitos e casos.

Tendo em vista esse cenário, em que não há perda de capacidade de conter a doença, segundo o governo estadual, não há perspectiva de adoção do "lockdown".
A taxa do crescimento do número de mortes tem diminuído na cidade. Isto é, os novos óbitos registrados a cada dia em relação ao total de óbitos acumulados até o dia anterior têm crescido a uma taxa menor: era em média de 3,1% na semana final de abril, foi de 1,4% na última semana, em maio. O crescimento da soma de mortes confirmadas por Covid-19 e de suspeitas de vítimas da doença também baixou, de 4% para 1,1%.

Em termos absolutos, o número de mortes passou de 54, na média da semana final de abril, para 39, nos últimos sete dias, em maio. No caso da soma de mortes e suspeitas, os números passaram de 142 a 61, respectivamente.

Trata-se de dados de mortes e suspeitas por dia do óbito, investigadas caso a caso e registradas pelo Pro-Aim, serviço de análise e registro de números e causas de falecimento na cidade.

A prefeitura está mais preocupada do que o estado. Epidemiologistas dizem também que pode haver um repique da doença devido ao aumento de casos em bairros periféricos e mais pobres de São Paulo.

A preocupação das autoridades municipais se deve ainda ao aumento da ocupação das UTIs. No caso apenas dos leitos reservados para paciente de Covid-19, nos hospitais municipais, a taxa de ocupação era de cerca de 89%. Considerando também os pacientes fora de UTIs mas sob ventilação mecânica, a taxa sobe para 91%, segundo a Secretaria Municipal de Saúde.

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Pelos dados da prefeitura, depreende-se que as contas de taxa de ocupação são baseadas em cerca de 540 leitos, atualmente. A prefeitura diz ter contratado 208 leitos da rede privada e espera contratar outros 130 em breve, chegando a 338 leitos extras.

A prefeitura espera ainda comprar pelo menos mais 700 ventiladores pulmonares, que estão em negociação sigilosa, e obter parte dos equipamentos recentemente adquiridos pelo governo estadual, segundo o secretário municipal da Saúde, Edson Aparecido.

A estatística diária da taxa de ocupação de UTI da prefeitura não inclui leitos da rede privada nem outros leitos de hospitais estaduais e filantrópicos. Não há, portanto, estatística geral de ocupação de UTI para Covid-19 na cidade.

Aparecido explica que a estatística municipal reflete uma avaliação realista e prática dos números de leitos com os quais a cidade pode contar. Leitos e equipamentos de UTI de hospitais estaduais, conta, têm sendo distribuídos a cidades da região metropolitana, em situação mais grave.

Segundo dados obtidos pela reportagem, a taxa de ocupação de leitos de UTI para Covid-19 na rede privada estava em 82%, nesta segunda (18). No entanto, o indicador, fornecido por hospitais, é volátil. Na semana passada, superou 90%.

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