Grupo protesta por prisão de manifestantes em frente a Fórum no Recife

Audiência de custódia será na tarde desta quarta (22); pessoas feridas no confronto devem prestar queixa no Ministério Público

Manifestantes aguardavam a chegada dos detidos no Fórum Rodolfo AurelianoManifestantes aguardavam a chegada dos detidos no Fórum Rodolfo Aureliano - Foto: Jacielma Cristina/Rádio Folha de Pernambuco

Dezenas de pessoas se reuniram, na manhã desta quarta-feira (22), no Fórum Rodolfo Aureliano, na Ilha Joana Bezerra, área central do Recife, para protestar contra as prisões de manifestantes do Movimento dos Trabalhadores sem Teto (MTST-Brasil), realizadas na tarde da terça-feira (21), após o confronto com a Polícia na sede da Companhia Estadual de Habitação e Obras (Cehab), no bairro de Campo Grande. Nove pessoas foram detidas e passarão por uma audiência de custódia no fórum na tarde desta quarta (22).

Os réus chegaram por volta das 11h40 ao Fórum, trazidos por carros do Comando de Operações e Recursos Especiais (Core) da Polícia Militar. Os manifestantes que aguardavam no local com faixas e bandeiras os receberam com gritos de ordem. De acordo com a organização, eles ficarão no local até que a situação dos detidos seja definida pela Justiça.

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De acordo com o secretário de comunicação da Central Única de Trabalhadores (CUT), Fabiano Moura, a manifestação de hoje é uma atividade para pedir à Justiça que a reivindicação do grupo por moradia seja feita dentro da lei. “É um movimento em solidariedade aos companheiros que foram detidos”, explica.

Feridos
Durante o confronto, alguns manifestantes ficaram feridos, entre eles, Vitória Regina Silva Rodrigues Penna, que foi atingida por uma bala de borracha na perna. Ela deu entrada no Hospital da Restauração ainda na terça, às 16h50, foi medicada, passou a noite em observação e recebeu alta na manhã desta quarta-feira, às 9h21.

O advogado do Movimento, Caio Moura, também foi atingido por bala de borracha. Um homem identificado como Alexandro Carlos de Oliveira teve duas costelas fraturadas e uma hemorragia interna e deu entrada no Hospital Getúlio Vargas também na terça, mas continua internado, em observação. De acordo com a advogada do Centro Popular de Direitos Humanos, Luana Varejão, outras pessoas ficaram feridas durante o confronto e devem prestar queixa nesta tarde no Ministério Público.

Defesa
Ainda segundo Moura, apesar das informações serem de que o grupo é formado por vândalos, o movimento é ordeiro e associá-lo a uma ação criminosa é negativo para o regime democrático do Brasil. “Infelizmente ontem o que ficou para a sociedade é que seria um bando de vândalos que invadiram a Cehab e que depredaram e jogaram pedras. Inclusive que queriam invadir o quartel e roubar as armas. Isso nunca existiu”, disse.

Ele ainda informa que o grupo entende que houve confronto com a polícia e uso da força excessiva, além da prisão desnecessária de integrantes do movimento. “Não foi arbitrada a fiança na hora, porque eles (os policiais) fizeram de forma que não daria para ser arbitrada a fiança, e por isso está havendo essa audiência de custódia aqui”, afirmou.

O coordenador do Movimento Sem Terra em Pernambuco, Edvaldo Gomes, esclarece que as pessoas que foram detidas são “pais de família que só querem reivindicar o direito à moradia”. “Enquanto a Justiça, a Polícia Militar está trazendo pais de família aqui para o Fórum, para serem julgados, a bandidagem está solta aí, explodindo caixa eletrônico, matando e roubando, e não estão sendo presos”.

Entenda o caso
O confronto entre polícia e manifestantes ocorreu na tarde de terça-feira (21), em frente à Companhia de Habitação e Obras de Pernambuco (Cehab), no bairro de Campo Grande, Zona Norte do Recife. 

Segundo a polícia, o grupo teria tentado invadir a Cehab após ter sido informada, por volta do meio-dia, de que a reunião marcada para as 16h com o secretário Bruno Lisboa foi desmarcada. A reunião seria para discutir a situação das 961 famílias que vivem em um terreno do Governo no Barro, Zona Oeste do Recife, ao lado da Estação do Metrô do Recife no Barro, às margens da BR-101.

Manifestantes dizem que queriam entrar na Cehab para remarcar a reunião e a Polícia reagiu com violência. Já a Polícia alega que eles tentaram invadir o prédio público.

O secretário Bruno Lisboa disse que não pode averiguar as reivindicações do movimento e definiu a entrada dos manifestantes como violenta. "Eles entraram com pedras, quebrando tudo e não tivemos a oportunidade de negociar com ninguém do MTST".

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