OPINIÃO

Guerra e paz

 A conjunção de terríveis acontecimentos naturais e provocados que tem marcado esse início do século XXI, com os desastres decorrentes dos fenômenos climáticos, a pandemia da Covid-19, os distúrbios políticos que temos assistido e sofrido em maior ou menor intensidade já consagraram lugar de destaque na moderna história da humanidade.

Observamos que o instinto animal do bicho homem tem tirado partido desses eventos, no sentido de potencializar seu incontido desejo de poder. Inconformada com a letalidade da pandemia, campeã no ranking dos inimigos da humanidade, a Rússia aproveita o ensejo através do seu líder, de perfil tirânico, para mostrar ao mundo fragilizado do que é capaz, como uma revanche contra o destino que comprometeu o esplendor do império soviético.

Segundo o antropólogo Richard Wrangham, da Universidade de Havard, “tal como um indivíduo, um império almeja sempre mais poder”, sendo assim, pergunta –“Será que estamos condenados a viver em permanente conflito? Talvez não”, observando que “há algo primordial para o desenvolvimento da violência coletiva: o desequilíbrio de forças, grupos, bandos de homens só atacam, quando tem a percepção por vezes equivocada, de que podem sair ilesos em apoteose nos braços de seus liderados, ledo engano, se for possível manter o recomendável equilíbrio de forças, de poder, só assim podemos esperar a paz”, diz com convicção.

Tudo indica que o momento escolhido pela Rússia para deflagrar a insana iniciativa foi premeditado, tirando partido da preocupação do ocidente com outras prioridades de natureza econômica e de saúde pública com a pandemia, oportunidade única para dar início ao processo de retomada dos satélites do antigo império.

A injustificável manifestação de solidariedade do Brasil à ameaça Russa de invasão da Ucrânia que, na sequência dos previsíveis acontecimentos, se configurou, conforme previsto pela imensa maioria dos países, com destaque para a Europa e os EUA, não encontra a menor lógica, estratégia política ou econômica, e muito menos humanitária, a não ser o indisfarçável e absurdo interesse eleitoreiro tupiniquim, de baixo nível, diante de uma das maiores tragédias já enfrentadas pela humanidade, gesto imperdoável, erro diplomático grotesco, a se juntar na nossa coleção, que aplaudiu a invasão do congresso americano, ensaiando repetir por aqui gesto semelhante, que agrediu a China, para no momento seguinte afagá-la, o estímulo à “invasão” das reservas indígenas com o garimpo e outras barbaridades que expõem o Brasil a crítica e perplexidade internacional.

Quando tudo isso passar, inclusive no “Day after” da eleição de Outubro, o que será de nós no desespero da reconstrução nacional, que se mostra a cada dia da alopração oficial cada vez mais difícil, com o País de tanga e pés no chão, faminto, doente e desesperado? Verdadeira Ucrânia tropical, vítima do delírio doentio dos nossos gestores, que gracejam as gargalhadas na plateia dos dramáticos acontecimentos.

Não existe 1ª, 2ª ou 3ª Guerra Mundial, desde sempre o mundo tem vivido em permanente estado de guerra, sendo assim, aos que quiserem se destacar como líderes diferenciados, aprimorem modelo que consagre a civilidade, a harmonia universal na busca da utopia da paz, que a humanidade tanto deseja mas não prega, se destaquem com gestos, e atitudes de cunho humanitário, pois estes podem vir a ter potencial de neutralizar até a letalidade atômica, que pontifica cada dia mais em direção ao apocalipse.

 

* Consultor de empresas
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