Haddad diz que não é preciso obrigar o PT a escrever outra carta ao mercado

Haddad negou as acusações e argumentou que as ações do MP apareceram somente depois que ele foi indicado a vice na chapa do ex-presidente Lula, que teve sua candidatura barrada na semana passada pelo TSE

Fernando Haddad Fernando Haddad  - Foto: Mauro Pimentel/AFP

Candidato a vice na chapa do PT ao Planalto, Fernando Haddad afirmou na quinta-feira (6) que não é preciso obrigar seu partido a escrever outra carta ao mercado. Em referência à Carta aos Brasileiros, divulgada em 2002 para tentar mostrar uma face mais moderada do ex-presidente Lula, Haddad afirma que o programa econômico petista não será radical caso o partido seja eleito em outubro.

"A única intervenção que estamos propondo é em relação ao cartel de bancos", disse Haddad em entrevista à GloboNews. "Estão querendo obrigar o PT a escrever outra carta ao mercado, e não precisa", completou. O candidato a vice na chapa de Lula - que teve sua candidatura barrada pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) na semana passada- admitiu erros na condução da política econômica do governo Dilma Rousseff entre 2013 e 2014, mas evitou contabilizá-los como a causa para o impeachment da petista.

"A crise política tem que ser colocada na conta da recessão econômica", afirmou. Para ele, uma espécie de "sabotagem" dos adversários de Dilma a impedia de aprovar medidas importantes para a estabilidade econômica. Haddad deve ser anunciado como o substituto de Lula na chapa do PT ao Planalto na terça-feira (11), mas evitou, como sempre tem feito, colocar-se como candidato.

Denúncias
Haddad atacou o Ministério Público e disse que a Promotoria "nunca ganhou nem vai ganhar" uma ação contra ele. O MP acusa o petista de improbidade por suposto recebimento de caixa dois. Segundo o órgão, Haddad soube de repasse para pagar dívidas de sua campanha pela empreiteira UTC já durante seu mandato como prefeito de São Paulo.

Haddad negou as acusações e argumentou que as ações do MP apareceram somente depois que ele foi indicado a vice na chapa do ex-presidente Lula, que teve sua candidatura barrada na semana passada pelo TSE. "Quantas ações o MP perdeu para mim? O MP nunca ganhou uma ação movida contra mim e nem vai ganhar. E essas ações foram protocoladas agora, coincidentemente quando me tornei vice do Lula", afirmou o petista em entrevista à GloboNews. "Porque cancelei uma obra superfaturada pela UTC", completou.

Polarização
O ex-prefeito disse que a polarização entre direita e esquerda "não trouxe prejuízo institucional para o país". Na opinião do petista, o agravamento do cenário aconteceu somente quando a vitória de Dilma Rousseff (PT), em 2014, foi contestada pelo PSDB.

Durante entrevista à GloboNews, Haddad rechaçou a ideia de que a tese de "uns contra os outros", habitualmente alardeada pelo ex-presidente Lula durante as campanhas eleitorais, levou à radicalização do processo político. "Uns contra os outros, na qualidade de inimigos, sim [incita radicalização]. Na qualidade de adversário é benefício", completou.

A declaração do candidato a vice foi feita horas depois de um atentado ao presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), que foi esfaqueado durante evento em Juiz de Fora (MG) nesta quinta. Haddad lamentou o ocorrido e disse que, em respeito à audiência do programa, não havia desmarcado o compromisso. Mais cedo, o petista classificou o ataque a Bolsonaro como "absurdo" e "lamentável".

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