Hamas divulga imagens de dois reféns israelenses, enquanto Egito apresenta nova proposta de trégua
Acordo incluiria libertação de cinco cativos vivos, em troca de Israel permitir a entrada de ajuda humanitária na Faixa de Gaza e uma pausa de semanas nos combates
O braço armado do Hamas divulgou, nesta segunda-feira, um vídeo de dois reféns israelenses sequestrados em 7 de outubro de 2023, quando o movimento terrorista palestino atacou Israel a partir da Faixa de Gaza.
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O material foi divulgado no mesmo dia em que autoridades do Egito apresentaram uma nova proposta para tentar retomar o cessar-fogo em Gaza, uma semana após Israel romper a trégua com o Hamas com um bombardeio surpresa.
No vídeo, que dura pouco mais de três minutos e cuja data de gravação não pôde ser verificada, os dois reféns aparecem sentados, falando em hebraico com um dos reféns que já foi libertado, pedindo-lhe que conte suas experiências em cativeiro para acelerar a libertação deles.
Os dois homens, identificados pela AFP como Elkana Bohbot e Yosef Haim Ohana, ambos sequestrados no festival de música Nova, falam do perigo que enfrentam desde que os ataques israelenses à Faixa de Gaza foram retomados na terça-feira.
A imprensa israelense mencionou seus nomes sem divulgar o vídeo, que, no entanto, é considerado “prova de vida” para os dois homens.
A família de Bohbot — que é casado com uma cidadã colombiana e recebeu a cidadania do presidente da Colômbia depois que ele foi sequestrado — reagiu ao vídeo com uma mensagem ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e ao presidente dos EUA, Donald Trump.
"Por favor, imagine se fosse seu filho, o pai de seu neto, esperando para ver a luz do dia, ouvindo bombas do exército e vivendo com medo constante de morrer", escreveu a família. "Esse vídeo é uma prova de vida, mas queremos que Elkana volte para casa vivo."
O vídeo foi divulgado no mesmo dia em que o Egito apresentou uma nova proposta para retomar o cessar-fogo em Gaza.
Sob esse novo acordo, o Hamas libertaria cinco reféns vivos, incluindo um americano-israelense, em troca de Israel permitir a entrada de ajuda humanitária na Faixa de Gaza e uma pausa de semanas nos combates, disse uma autoridade egípcia à agência de notícias AP.
Uma autoridade do Hamas disse também à AP que o grupo havia "respondido positivamente" à proposta, sem entrar em detalhes.
Ambas as autoridades falaram sob condição de anonimato porque não estavam autorizadas a informar a mídia sobre as negociações a portas fechadas.
Israel retomou seus pesados ataques aéreos em Gaza na semana passada antes de enviar tropas terrestres de volta às áreas evacuadas durante a trégua de dois meses que começou em 19 de janeiro.
A ação acontece em meio ao impasse nas negociações de uma segunda fase do acordo de cessar-fogo, que deveria ser implementada após o término da primeira, no início deste mês. Nesta etapa, a trégua previa alcançar um cessar-fogo permanente, além da libertação — ou devolução de corpos — de todos os reféns ainda em Gaza e retirada total das forças israelenses do território palestino, medida esta rejeitada por Israel.
Cerca de 730 palestinos foram mortos desde a retomada dos bombardeios israelenses no território no dia 18 de março, após uma trégua de dois meses, segundo o Ministério da Saúde de Gaza.
A guerra iniciada em 7 de outubro de 2023 já deixou deixou 50.082 mortos e 113.408 feridos no enclave. Israel questiona regularmente os dados do ministério palestino, mas a ONU os considera confiáveis.
O conflito foi desencadeado por um ataque do Hamas no sul de Israel.
Em resposta, Israel lançou uma ofensiva aérea e terrestre no estreito território palestino.
Uma trégua entre ambas as partes entrou em vigor em janeiro.
No entanto, depois de dois meses de uma calma relativa, Israel rompeu o cessar fogo no território em 18 de março, em meio ao impasse nas negociações de uma segunda fase do acordo de cessar-fogo, que deveria ser implementada após o término da primeira, no início deste mês.

