Higiene x COVID-19

Especialista comenta a importância da lavagem correta das mãos no combate ao novo coronavírus

Higiene correta das mãosHigiene correta das mãos - Foto: Ed Machado/Folha de Pernambuco

Há consenso, até o momento presente, de que a COVID-19 é uma doença de transmissão respiratória. A depender dos cuidados no manuseio dos alimentos, desde a compra até a sua utilização, há risco de contaminá-los por meio do contato com as mãos, superfícies e utensílios onde os vírus possam estar – além, é claro, de gotículas de saliva emitidas por fala muito próxima, tosse e espirros.

Os cuidados preventivos para o consumo seguro dos alimentos se iniciam com a correta lavagem das mãos. Na prática, além das recomendações amplamente disseminadas hoje em dia, acerca das técnicas e da duração da lavagem, em si, há que se refletir sobre alguns detalhes. Eles parecem óbvios para os que estão acostumados, mas nem tanto para outros. Vale a pena conferir:

- é necessário manter as unhas aparadas e, de preferência, sem esmaltes, pois sempre haverá a possibilidade de os germes se alojarem nos espaços menos acessíveis, dificultando a ação dos produtos desinfetantes;
- é aconselhável evitar o uso de adereços como anéis e relógios. Esses objetos alojam resíduos, e, entre eles, potencialmente, os coronavírus. Quando optar pelo uso, é prudente retirá-los antes de cada vez que lavar as mãos, bem como higienizá-los com água e sabão ou álcool a 70%, antes de colocá-los de novo.
Ainda quando as mãos tenham sido lavadas corretamente, é impróprio passá-las nos cabelos enquanto manusear os alimentos. Os cabelos, como é sabido, podem conter germes tanto quanto as demais superfícies do corpo. A obrigatoriedade do uso de touca ou lenço constante nos Manuais de Boas Práticas em Unidades de Produção de Refeições, se baseia na premissa estética de evitar que os fios caiam na comida (ocorrência bem desagradável), bem como na questão de segurança higiênica no tocante à transmissão de germes.

Em relação à indicação do álcool a 70%, ambas as formulações são eficazes (em gel e em líquido). Do nosso ponto de vista, contudo, é desnecessário se preocupar em manter grande estoque de álcool a 70% para uso durante a reclusão nos domicílios, nos quais a oferta de água e sabão for garantida. Um alerta: o contato íntimo e duradouro do princípio ativo com as superfícies do que se pretende desinfetar é fundamental para a eficácia do álcool a 70% nas duas formas - as mãos devem ser friccionadas vigorosamente, por tempo suficiente, idêntico ao da lavagem com água e sabão, e com a mesma técnica. Somente assim, o princípio ativo agirá sobre os vírus, destruindo-os. O mesmo se dá para a sanitização com água clorada, nas concentrações orientadas por especialistas: é importante deixar as frutas e verduras completamente submersas na solução por um tempo mínimo de 15 minutos, antes de enxaguá-los com água potável, para evitar a ingestão do cloro.

A efetividade da lavagem das mãos só se completa quando ela se repete a cada intervalo ENTRE os procedimentos. Por mais cansativo que isto possa se tornar, é uma regra de ouro quando se trata de evitar doenças, sobretudo como a COVID, ainda tão pouco desvendada nos tempos atuais. Dentre tantos aprendizados resultantes da experiência dolorosa com a COVID-19, restará como um bom fruto para as gerações futuras a insistência pedagógica dos sanitaristas para a correta lavagem das mãos. Isto possibilitará a cristalização de um hábito de promoção de saúde e prevenção de doenças para além de uma mera etiqueta social.

*É nutricionista, atua no Tribunal de Justiça de Pernambuco no Núcleo do Programa Saúde Legal