Histórico de atleta não imuniza contra coronavírus

Competidores relatam dificuldades após testarem positivo. Porta-voz da Sociedade Brasileira de Cardiologia reforça cuidados

Dybala sentiu corpo pesado, dor nos músculos e problemas para respirarDybala sentiu corpo pesado, dor nos músculos e problemas para respirar - Foto: Isabella Bonotto/AFP

Uma das principais características do novo coronavírus é o contágio fácil e silencioso. Mesmo idosos e portadores de doenças crônicas sendo aqueles mais vulneráveis ao agravamento, qualquer pessoa é suscetível à contaminação. A prova disso é o índice elevado de atletas profissionais de alto rendimento infectados ao redor do mundo, com alguns apresentando sintomas graves. Ou seja, o histórico de atleta não é passe livre para uma condição assintomática ou de maior resistência. Em tempos de quarentena, é necessário se adaptar à uma nova rotina de treinamentos. É neste momento que a sala de estar se torna uma válvula de escape para manter o condicionamento físico.

Até a última sexta-feira, os casos registrados da Covid-19 no mundo esportivo beiravam quase 50. O primeiro foi o zagueiro Rugani, da Juventus, há duas semanas. Depois, vários clubes italianos tiveram seus jogadores diagnosticados com a doença, como o argentino Dybala. A séries A, B e C da Itália – país mais afetado pela pandemia atualmente – acumulam 20 infectados ao todo. No basquete, Kevin Durant testou positivo ao lado de quatro companheiros do Utah Jazz. Rudy Gobert é um deles, apontado como o primeiro jogador da NBA a ser contaminado. O vôlei também não ficou de fora. O astro francês Earvin Ngapeth, carrasco da seleção brasileira, informou que contraiu o coronavírus. No Brasil, pelo menos cinco atleta foram infectados: Maique (basquete), Drussyla (vôlei), Thiago Wild (tênis) e os jogadores de futebol Jonathas Jesus (atua na Espanha) e Dorielton (ex-Náutico, atualmente joga na China).

No Recife, os preparadores físicos dos três clubes desenvolveram cartilhas com recomendações para serem seguidas no período de confinamento. Danny Morais, zagueiro do Santa Cruz, mostrou em vídeo postado nas redes sociais que a nova rotina pode misturar seriedade e bom humor ao lado dos filhos. De acordo com a médica Ludhmila Hajjar, porta-voz da Sociedade Brasileira de Cardiologia, é essencial que os competidores de alto rendimento respeitem as mesmas orientações passadas para as pessoas comuns. “Este é um momento de reclusão, de isolamento social. É importante que o atleta cuide de sua saúde, assim como todas as outras pessoas. Ele deve tentar fazer sua atividade física em casa”, ressaltou.

Igualmente ao capitão tricolor, outros jogadores brasileiros postaram vídeos exibindo como estão sendo as movimentações dentro de casa. Estrelas do futebol mundial, como Neymar e Messi, entraram na campanha reforçando o pedido para permanecer em casa. Ludhmilla frisa que a imagem relevante do atleta na sociedade exerce um papel preponderante na tarefa de instruir as pessoas. “Destaco que o atleta tem grande influência na sociedade. Por isso, esperamos que ele seja um exemplo de hábito e de engajamento nas orientações médicas. Esperamos que ele esteja em casa, comunicando-se com as pessoas por vídeo e fazendo as suas atividades também dentro de casa, incentivando os outros a fazerem o mesmo”, acentuou.

Na última terça-feira, o presidente Jair Bolsonaro fez um pronunciamento em rede nacional no qual criticou o confinamento em massa e se mostrou despreocupado caso seja infectado por conta do seu “histórico como atleta”. Relatos de ícones do esporte mundial vão na contramão do discurso do líder da nação e mostram os efeitos danosos após adoecerem pelo coronavírus. Paolo Maldini, lendário ex-zagueiro italiano, revelou que as complicações começaram antes de ser diagnosticado na semana passada. “Como todos os atletas, eu conheço meu corpo. As dores são particularmente fortes, sentimos um aperto no peito. É um novo vírus, as lutas físicas contra um inimigo que não conhece. Tive os primeiros sintomas em 5 de março, dor nas articulações e músculos, 38,5° de febre, não fiz o teste até terça-feira e o veredicto de positividade chegou dois dias depois”, comentou.

Astro da Juventus, o argentino Paulo Dybala revelou na sexta-feira que teve "problemas para respirar". "Eu não estava bem, me sentia pesado e depois de cinco minutos me movimentando, tinha que parar porque tinha problemas para respirar", disse o jogador. "Agora, consigo me movimentar e caminhar para começar a tentar treinar porque quando tentei nos últimos dias, comecei a tremer demais", continuou. "Sentia falta de ar e, como resultado, não podia fazer nada. Depois de cinco minutos, estava muito cansado e sentia o corpo muito pesado, sentia os músculos doerem", concluiu.

Segundo a infectologista, no momento, não há estudos que comprovem o impacto da Covid-19 no corpo. “Nós não sabemos. O que sabemos até agora realmente é quem está no grupo de maior risco, que são os idosos, pacientes que têm algum tipo de doença do sistema imunológico ou alguma fraqueza nas suas defesas, por exemplo o paciente que tem câncer, diabetes ou que já tenha algum órgão acometido. Isso é o que nós sabemos. Em relação aos outros tipos, nós não temos dados até o momento”.

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