Hora de elaborar uma boa redação para o Enem

As competências são as chaves para decifrar a produção de um bom texto do exame

Prefeito de Jaboatão dos Guararapes, Anderson Ferreira (PR)Prefeito de Jaboatão dos Guararapes, Anderson Ferreira (PR) - Foto: Matheus Britto/PJG

No Enem de 2014, apenas 250 de 5,8 milhões de candidatos conseguiram a nota máxima na redação. No ano seguinte, o número caiu: os desejados mil pontos só foram alcançados por 104 dos mais de 6 milhões de participantes. E a tendência é que o grupo seleto diminua, dada a melhoria no nível de correção das provas, segundo a professora Sandra Lima, que ensina redação no Colégio São Luís. Ela foi corretora de texto do Enem por três anos e notava disparidades nas notas. “Isso repercutiu negativamente, as pessoas desacreditavam na correção. Hoje, tem uma lapidação no treino do profissional, o corretor do Enem é avaliado para poder corrigir e entender se o estudante cumpriu com a competência”, aponta.

As competências são as chaves para decifrar a produção de texto do exame. São cinco e valem 200 pontos, cada. Incluem demonstrar domínio da língua, identificar e atender ao gênero textual, interpretar em defesa de um ponto de vista trazendo outras áreas de conhecimento, ter coesão e coerência e elaborar proposta de intervenção. É um texto que precisa de tema, problematização, argumentação e proposição de resolução. Isso, no entanto, não significa que a redação seja uma receita de bolo. “Muito pelo contrário. O texto do Enem exige muita autoria. É um aluno que lê, que sabe inferir, criticar, reconhecer o espaço e a realidade em que está. Para tirar uma nota acima de 800 pontos tem que ter maturidade na escrita e no pensamento crítico”, conta.

Escrever para tentar impressionar o corretor e zerar alguma das competências deve estar fora de cogitação. A dica é procurar entender temas transversais de cunho social, como temas que envolvam ética, o papel da juventude e da escola, o preconceito racial, a relação da sociedade com a tecnologia, os recursos hídricos, entre outros.

A estudante Giovana Calábria, 17 anos, não descarta o uso de estratégias argumentativas, como a professora Sandra chama os recursos de citação, dados estatísticos, paráfrases, alusão, comparação, exemplificação e analogias. “Acho as fórmulas prontas relevantes por direcionarem o aluno a preencher as competências. Porém, discordo de alguns aspectos dessas fórmulas, já que muitas vezes elas podem acabar limitando a construção do pensamento crítico do aluno, algo que eu vejo como bastante negativo, já que essa habilidade é cobrada não só no vestibular, mas também na vida profissional”, alerta a jovem, que pretende cursar Direito na UFPE. Colega de Giovana, Bruno Monteiro, 17, concorda: “Os estudantes caem na falácia de usar uma citação pronta sem que ela fique bem no contexto. Ou até mesmo citam algum autor que não conhecem e não têm embasamento.”

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