Hospital Albert Einstein cria teste genético para detectar coronavírus em larga escala

O exame tem 100% de especificidade, ou seja, não apresenta casos de falso-positivo, uma precisão equivalente à do método convencional (RT-PCR)

Teste para o novo coronavírusTeste para o novo coronavírus - Foto: Miguel Riopa / AFP

O Hospital Israelita Albert Einstein (SP) desenvolveu um novo teste de diagnóstico do coronavírus que permitirá a realização simultânea de até 1.536 amostras, um volume cerca de 16 vezes maior do que é possível processar hoje pelo método RT-PCR, tido como padrão ouro.

O exame tem 100% de especificidade, ou seja, não apresenta casos de falso-positivo, uma precisão equivalente à do método convencional (RT-PCR).

A patente foi registrada no Sistema Internacional de Patentes dos Estados Unidos e, segundo o Einstein, é a primeira do mundo. O preço final do teste dever ser menor do que o seu similar, o RT-PCR, hoje em torno de R$ 250, mas ainda não está fechado.

Leia também:
Pesquisadores chineses dizem ter desenvolvido um tratamento capaz de interromper a pandemia da Covid-19
Governo destina R$ 5 milhões para pesquisa com nitazoxanida


A proposta é que nova tecnologia seja usada na testagem em massa da população, medida tida como crucial para o controle da expansão de casos, previsão de demanda para o sistema de saúde e retomada de atividades econômicas.

Baseado na tecnologia de Sequenciamento de Nova Geração (NGS), que identifica doenças por meio da leitura de pequenos fragmentos de DNA, o teste do Einstein foi ter adaptado para detectar também o RNA, a outra molécula biológica que, junto com o DNA, compõe o material genético dos seres vivos.

Como diversos tipos de vírus, o Sars-Cov-2 possui apenas RNA. Segundo Sidney Klajner, presidente do Einstein, o novo teste começou a ser desenvolvido há dois meses, a partir do sequenciamento genético do coronavírus que circulava no Brasil, e com o uso de técnicas de inteligência artificial.

"Chegamos ao diagnóstico com uma escala muito maior. Com equipamento que a gente tem no Einstein, vamos passar de 96 testagens por rodada para 1.536. Por semana, só no Einstein, poderemos fazer 24 mil testes", explica.

A testagem é passível de ser aplicada em qualquer laboratório do país que queira adquiri-la. Também não está definido o valor dessa transferência de tecnologia.
Eliezer Silva, diretor superintendente da medicina diagnóstica e ambulatorial do Einstein, diz que o novo exame passou por validações que demonstraram que ele é equivalente ao teste padrão ouro, no caso, o RT-PCR.

"A especificidade é de 100%, ou seja, aqueles identificados realmente têm o vírus, e tem uma sensibilidade muito semelhante ao PCR tradicional, de 90%, o que é fundamental. Não pode deixar ninguém que tenha a doença de fora."

O que existe hoje disponível para a testagem em massa são os exames sorológicos, conhecidos como testes rápidos. Eles detectam anticorpos produzidos pelo organismo em resposta à infecção e só podem ser observados em média 14 dias após a contaminação. Também possuem taxas de 30% de falsos-negativos.

Segundo Silva, o teste criado pelo Einstein identifica a presença do vírus desde o primeiro dia de infecção, da mesma forma que o RT-PCR.

A coleta de amostra para detecção do vírus é realizada por meio de cotonetes estéreis (chamados de swab) em contato com a região nasal ou saliva.

A amostra é preparada de acordo com protocolos específicos desenvolvidos pelo hospital e, por fim, a análise dos resultados é realizada por meio da plataforma de bioinformática (Varstation®), também criada pelo departamento de inovação do Einstein e comercializada para outras empresas.

O teste deverá estar disponível para a rotina de operação diagnóstica no Einstein até o início de junho.

Acompanhe a cobertura em tempo real da pandemia de coronavírus

 

Veja também

Ministério Público denuncia homem preso por furto de bicicleta no Leblon
Crime

Ministério Público denuncia homem preso por furto de bicicleta no Leblon

Guedes defende fala sobre excesso de comida e lamenta 'ironia' da imprensa
Economia

Guedes defende fala sobre excesso de comida e lamenta 'ironia' da imprensa