IBGE detalha capacidade médico-hospitalar dos estados do Brasil

Regiões Sul e Sudeste têm mais profissionais e estrutura de leitos, enquanto Norte e Nordeste são mais defasados

Acesso a atendimento é essencial no combate ao novo coronavírusAcesso a atendimento é essencial no combate ao novo coronavírus - Foto: Fassbender/AFP

O IBGE divulgou nesta quinta-feira (7) a distribuição de médicos, enfermeiros, leitos de UTIs (unidades de terapia intensiva) e respiradores por unidades da federação e regiões do Brasil que são referência no atendimento de saúde de baixa e média complexidade.

As informações, geradas com a colaboração da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), vão contribuir com as ações de enfrentamento à Covid-19 e estão disponíveis para consulta em mapas interativos do hotsite covid19.ibge.gov.br.



Também na página foi divulgada a distribuição de idosos e de domicílios adensados, aqueles com mais de três moradores por dormitório, com base no Censo Demográfico de 2010. A população que vive nessas casas tem mais chances de contágio e os idosos compõem o grupo de risco da doença provocada pelo novo coronavírus.



O levantamento – que abrange as redes pública e privada - tem como base o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde 2019 (DataSUS) e as Informações de Deslocamento para Serviços de Saúde, da pesquisa Regiões de Influência das Cidades 2018, cuja íntegra está prevista para ser divulgada em junho pelo IBGE. Também foram cruzadas informações do Censo Demográfico 2010 com a pesquisa Arranjos Populacionais e Concentrações Urbanas do Brasil 2015.



DF tem a melhor distribuição de médicos do País


Os dados mostram que, em 2019, o Distrito Federal possuía a melhor distribuição de médicos do País, com 338 profissionais por 100 mil habitantes. Em seguida, aparece São Paulo, com 260 médicos na mesma comparação. Rio de Janeiro (248), Rio Grande do Sul (244) e Espírito Santo (223) fecham o grupo dos cinco estados com os melhores indicadores.

Pernambuco, por sua vez, ocupa o 12º lugar em distribuição de médicos no Brasil, com 157 por mil habitantes. É o segundo melhor índice da Região Nordeste, atrás apenas de Sergipe. Por outro lado, os estados com menos médicos estavam concentrados no Norte e no Nordeste do País. O Maranhão e o Pará registraram os menores indicadores, 81 e 85 médicos por 100 mil habitantes, respectivamente.

“O recomendável são 80 médicos generalistas por 100 mil habitantes. Entretanto, esse parâmetro é válido para uma situação de normalidade. Neste momento de pandemia, essa recomendação deve ser relativizada, pois a demanda pelo sistema de saúde é maior”, disse o coordenador de Geografia e Meio Ambiente do IBGE, Cláudio Stenner.



Os números também mostram a distribuição de médicos em regiões com mais de 500 mil habitantes que possuem um polo que é referência regional nos atendimentos de saúde de média e baixa complexidade. Santarém, no Pará, tem uma população de 786 mil habitantes e índice de somente 58 médicos por 100 mil habitantes. Irecê, na Bahia, vem em seguida, com 512 mil habitantes e 60 médicos. Garanhuns, em Pernambuco, por sua vez, conta com 64 médicos por mil habitantes. A população da cidade é de 568.779 moradores.



Entre as regiões com mais de 100 mil habitantes, a situação é mais crítica em Capitão Poço e Cametá, ambas no Pará, com índices de 22 médicos e 24 médicos por 100 mil habitantes, respectivamente.

Pará tem o menor índice de enfermeiros por habitantes

A distribuição de enfermeiros também é maior no Distrito Federal. São 198 profissionais por 100 mil habitantes. Tocantins (178), Paraíba (149), São Paulo (143), Rio de Janeiro (140) e Rio Grande do Sul (138) também se destacam na comparação.



O Pará é o estado que tem o menor índice de enfermeiros: 76. Em seguida vem Alagoas e Goiás, com 101, Sergipe com 102, e Amazonas com 103 profissionais por 100 mil habitantes. Pernambuco, a seu turno, conta com 117 enfermeiros por 100 mil habitantes. É o terceiro melhor índice do Nordeste, atrás da Bahia e da Paraíba, e o sexto lugar nacional. 



Também está localizada no Pará a região polarizada por uma cidade referência no atendimento regional com o menor índice de enfermeiros entre aquelas com mais de 500 mil habitantes: Marabá tem índice de 65 profissionais por 100 mil habitantes. Além disso, a região de Belém deve ser destacada dada a sua população de 3,6 milhões de pessoas associada a um índice de 84 enfermeiros a cada 100 mil habitantes.

Sobre os dados relacionados às cidades pernambucanas, quando se trata do Arranjo Populacional do Recife, são 152 enfermeiros por 100 mil habitantes, acima da média estadual. Já Palmares, na Mata Sul, está entre os municípios com mais de 200 mil habitantes que têm número de enfermeiros abaixo das médias estaduais, com 61 profissionais dessa especialidade por 100 mil habitantes, aproximadamente a metade da média pernambucana.



Norte e Nordeste têm menos respiradores que demais regiões


O cruzamento de dados também revela a distribuição de respiradores, equipamentos que realizam ventilação mecânica em pacientes com dificuldades respiratórias graves, nas unidades de saúde públicas e privadas do País. 



O Distrito Federal, novamente, lidera com índice de 63 respiradores por 100 mil habitantes, seguido pelo Rio de Janeiro (42), São Paulo (39), Mato Grosso (38) e Espírito Santo (35).

Estados do Norte e Nordeste são os menos equipados: Amapá (10 respiradores), Piauí (13), Maranhão (13), Alagoas (15) e Acre (16).

Pernambuco, no entanto, tem a melhor média nordestina e a oitava melhor média nacional, com 29 respiradores a cada 100 mil habitantes. O Arranjo Populacional do Recife têm o mesmo número desse tipo de equipamento por 100 mil habitantes do que a média estadual.



Entre as regiões de atendimento de saúde com mais de 500 mil habitantes, Santarém, no Pará, teve índice de sete respiradores por 100 mil. A cidade de Arcoverde, no Sertão pernambucano, com 345 mil habitantes, marca presença na pesquisa como uma das cidades que têm população superior a 200 mil moradores e têm uma média de 3,45 respiradores.

A região de atendimento de saúde que tem a maior população, mas nenhum registro de respiradores foi Governador Nunes Freire, no Maranhão, somando 149 mil habitantes.

Nordeste tem regiões com mais de 200 mil habitantes sem leito de UTI

O Distrito Federal também possuía, no ano passado, o maior número de leitos de UTIs do País, fundamentais para o atendimento de pacientes graves com a Covid-19.

Nas unidades de saúde da capital federal, o índice foi 30 leitos por 100 mil habitantes. Rio de Janeiro (25), Espírito Santo (20), São Paulo (19) e Paraná (18) são os estados melhor equipados.

Pernambuco conta com 16 leitos de UTI a cada 100 mil habitantes, o melhor indicador do Nordeste e o sétimo do País.

Os piores índices são de Roraima (4), Amapá e Acre (5 leitos), Amazonas e Piauí (7), e Tocantins, Maranhão e Pará (8). 

Quando se trata, por sua vez, dos 15 arranjos populacionais abordados no estudo, o Arranjo Populacional do Recife apresenta os melhores números: 29,5 leitos de UTI por 100 mil habitantes.



Referência no atendimento de baixa e média complexidade, Vitória da Conquista, na Bahia, foi a cidade com mais de 500 mil habitantes com o menor índice de leitos de terapia intensiva do País (11). 

Aliás, estão no Nordeste as regiões com mais de 200 mil habitantes que não têm nenhum leito de UTI, com destaque para regiões do Ceará. Vitória de Santo Antão, com 208.880 pessoas, é o município pernambucano com mais de 200 mil habitantes que não conta com nenhum leito de UTI. 



"Os dados mostram, de modo geral, que a desigualdade no País se repete na distribuição de recursos humanos e materiais na saúde. Sudeste e Sul são mais bem equipados que o Norte e Nordeste. Essa diferença também pode ser vista dentro dos próprios estados, como Minas Gerais, em que a distribuição é desigual por regiões”, comentou Cláudio Stenner.



Concentração de idosos é maior no Sul e Sudeste


O IBGE também disponibilizou a distribuição da população com mais de 60 anos no País, de acordo com o Censo 2010, já que os idosos compõem o grupo de risco da doença provocada pelo novo coronavírus. Os estados do Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro possuíam mais de 13% da população nessa faixa etária.

Paraíba (12%), Minas Gerais (11,8%), São Paulo (11,6%) e Paraná (11,2%) também têm número maior de idosos. Pernambuco se aproxima desses percentuais, com 10,7%, nono lugar no Brasil. Já o Amapá tinha o menor percentual (5,1%). O Norte, inclusive, era a região com a população mais jovem.

Quando se avaliam as grandes concentrações urbanas do País, com mais de 1 milhão de habitantes, destacava-se o Rio de Janeiro (13,3%) e a Baixada Santista (13,2%) como as concentrações urbanas com maiores percentuais de população com 60 anos ou mais. O Arranjo Populacional do Recife tinha 10,5%. Com menor percentual de população com 60 anos ou mais destacava-se Manaus (6,0%) e Brasília (7,2%).



Lares cheios
Outra preocupação no enfrentamento ao vírus é o número de pessoas que vivem sob o mesmo teto, já que é difícil prover o isolamento interno caso haja contágio. No Brasil, 18,4 milhões de pessoas (9,7% da população) moravam em domicílios com uma densidade de moradores por dormitório superior a três.

Essa característica foi mais marcante na região Norte (com exceção de Rondônia e Tocantins) e no estado Maranhão.

“É notável neste indicador as diferenças existentes dentro das cidades, especialmente nas grandes metrópoles. Em áreas de aglomerados subnormais, como em partes da Rocinha, este indicador chega a 19%, contrastando com o percentual de 1,6% em partes de Copacabana, ambos no Rio de Janeiro”, disse Stenner.

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