VIDA PLENA

Idosos ativos contra o estresse do isolamento social

Manter agenda ativa é fundamental para que impacto da solidão durante quarentena seja menos intenso na Terceira Idade

Sem poder sair, Maria da Guia agora tem dedicado tempo ao jardim e as suas plantasSem poder sair, Maria da Guia agora tem dedicado tempo ao jardim e as suas plantas - Foto: Alfeu Tavares/Folha de Pernambuco

Um estudo da Universidade de Chicago revelou que o isolamento social pode gerar a sensação de solidão, que é capaz de provocar no organismo um alto nível de estresse e reduzir a resposta imunológica, principalmente nas faixas etárias mais avançadas. De acordo com o geriatra Guilherme Selva, esse estresse pode afetar nas relações familiares dentro de casa. “Os idosos costumam ser os mais protegidos da casa. Eles não saem, não conversam com as pessoas na rua e isso pode aumentar o nível de estresse”, alertou. “Com o estresse elevado, o número de conflitos com as pessoas dentro de casa também pode aumentar”, continuou. Para evitar esse tipo de situação, é importante que o idoso se mantenha ocupado ao longo do dia.

A aposentada Maria da Guia, de 86 anos, costumava ir ao salão de beleza, onde arrumava seus cabelos e unhas. Era lá onde conversava com as pessoas que conhecia. Maria também ia bastante ao shopping. Durante a tarde, era comum ficar sentada na calçada conversando com os vizinhos e conhecidos. Mas essa rotina mudou desde que o mundo começou a enfrentar a pandemia da Covid-19.

Folha de Pernambuco · 02.06.20 - Fato e Análise - Idosos estão ficando ansiosos e estressados na quarentena

Sem poder sair, Maria da Guia tem dedicado seu tempo ao jardim e as suas plantas. "Além de ficar cuidando e admirando as minhas plantas, tive a ideia de colocar ração no terraço, para atrair mais passarinhos". Ela conta que nessa quarentena, como o movimento de carros diminuiu, o número de pássaros que aparecem no quintal aumentou. "São jandaias, rolinhas, bem-te-vi... até pica-pau", detalha. Maria desfruta ainda da companhia de Panda, a pet de estimação da casa que tem sido sua grande parceira.

Para Selva, manter a mente ocupada é fundamental para que o impacto da solidão seja menos intenso nos idosos. Segundo o especialista, a distância é um momento propício para aprimorar o relacionamento com a tecnologia e estreitar os laços com os parentes mais distantes. Quem tem seguido esse conselho é Maria José, 70 anos. Aposentada, também se dedica a cuidar do seu jardim, mas sempre separa um momento do dia para fazer chamadas de vídeo para seus filhos e netos. “Me mantenho sempre presente, no pé, com as minhas reclamações e meu carinho diário”, brinca. Mesmo morando na mesma rua, ela evita sair de casa, mas se faz presente como pode. 

Mente ativa

Sem poder sair de casa e com a limitação de atividades prazeroras, uma forma de desestressar é trabalhar a mente. Manter uma agenda ativa por meio de jogos, vivências e atividades é a alternativa proposta pelo Supera - Ginástica Para o Cérebro, grupo que trabalha com um método desenvolvido para potencializar as competências cognitivas e socioemocionais.

De acordo com Andréa Negreiros, diretora do Supera, manter uma agenda de tarefas diária é fundamental. “Ler, fazer ligações, manter-se em contato com os amigos e família são atividades fundamentais para manter a mente ocupada”, afirma. Segundo Andréa, estar ativo faz com que os idosos se sintam confiantes, o que mantém a autoestima elevada. “A confiança e a inserção no mundo digital estimulam a atividade cerebral, e o autocuidado com a saúde física e mental contribui com a redução do nível de estresse".

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